segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

O falso desenvolvimento sem Direitos Humanos



O problema principal do Brasil é ter muitas riquezas naturais que despertam a cobiça dos bandidos e dos políticos menos dotados de inteligência natural e de sensibilidade humana. Desde a colonização o "pau-brasil", madeira nobre, atraiu a atenção e a cobiça de vários países europeus que concorreram com Portugal. Os Estados Unidos, com o falso pretexto de defenderem a independência brasileira ameaçada pela neocolonização promovida pela Inglaterra na primeira metade do século 20, assumiram a dinâmica da produção de energia elétrica e gás com empresas privadas e levaram o Estado a proibir a investigação da existência de petróleo no território nacional para que não se tornasse concorrente na América.

Ha 500 anos o Brasil atrai cobiças de todos os lados do planeta que investem na extração das riquesas naturais sem que sejam criadas empresas estatais (Getúlio criou-as e matou-se para não continuar uma luta contra o império norte-americano). O produto bruto deixa a população marginalizada, sem a sua capacitação para a indústria transformadora. A elite dominante no Brasil, que serve de intermediária para a invasão estrangeira, promove alguma modernização na superfície social para o seu próprio conforto, e da sua classe, mas impede que a grande massa de trabalhadores, à quem interessa afirmar a soberania nacional, usufrua dos benefícios da modernização da pátria.

Para rompermos este domínio de sucessivos "donos" do Brasil visto como um "depósito de riquezas naturais", urge reconhecer e defender que a maior riqueza é o povo, que não pode ser traído e que garante, com o seu trabalho e talento, o desenvolvimento econômico da nação com soberania.

Queremos um governo capaz de impor como meta do desenvolvimento nacional a elevação do nível de vida e de formação dos mais de duzentos milhões de brasileiros para usufruirem do patrimônio existente, sem cair na atração histérica do "mercado" com o seu modelo de existência dominado por futilidades e venenos.

Queremos governantes capazes de impor o respeito pela soberania da pátria brasileira, e de gerir o aproveitamento das nossas riquezas em proveito dos cidadãos que constituem a força de trabalho e o talento para transformar os produtos naturais em elementos de dinamização da ciência, da técnica e da indústria nacionais.

Quando pensarmos nos Direitos Humanos antes de almejar o mercado (chamado livre) que impõe o guilhão das elites financeiras, estaremos em condições de abrir o caminho para o real desenvolvimento das forças produtivas e o aproveitamento dos talentos brasileiros na consolidação da soberania brasileira.

O exemplo da vitória popular existe em Cuba, dentro da América Latina, que tem em comum com os demais países, como o Brasil, a herança colonial, a escravidão de africanos e indígenas, o subdesenvolvimento que mantém o povo asfixiado para favorecer elites exploradoras, a cobiça do estrangeiro invasor e as oligarquias subservientes.

A pequena ilha de Cuba, tornada importante nação, enfrentou a luta pelo desenvolvimento das suas forças produtivas e, apesar do isolamento imposto pelos Estados Unidos e paises seus subordinados durante quase 60 anos, alcançou índices de desenvolvimento socioeconômicos que faltam às nações mais ricas: menor mortalidade infantil, extinguiu o analfabetismo, criou o atendimento gratúito à saúde, a formação escolar universal, a administração a partir dos bairros com participação cidadã em todos os níveis até o Conselho de Estado. A formação de milhares de médicos permitiu diversificar  em institutos especializados uma medicina socialista que supera os limites da comercialização capitalista. Daí surgem investigações científicas que beneficiam a população corrigindo hábitos alimentares inadequados e dificuldades na formação de crianças especiais, alem de oferecer solidariedade a outros povos vitimados por catástrofes.

O investimento na formação do povo abre caminho para a superação das raizes do atraso, que condena milhões de pessoas à miséria, e para a construção do desenvolvimento econômico nacional. Da investigação científica, Cuba criou o caminho para a produção no campo da biotecnologia, fundamental para modernizar a agricultura e a extração de petróleo assim como o aproveitamento de outros minerais. E assim, a pequena ilha consolidou a semente da sua resistência aos sucessivos atos de bandidagem do império do capital.

Nenhum país no mundo pode afirmar, como Cuba, que no seu território não existe nem uma criança abandonada nas ruas, nenhuma criança esfomeada, nenhuma pessoa doente sem tratamento, nenhum idoso sem apoio social, nenhum cidadão sem emprego ou pensão de sobrevivência. Ali não ocorrem os crimes de tráfico de pessoas, ou de órgãos, nem mesmo o comércio sexual que nos demais países existe como condição de trabalho e de vida. É um exemplo da maior defesa dos Direitos Humanos que abre caminho para o desenvolvimento econômico e cultural.

O panorama que o nosso rico Brasil oferece com os altíssimos índices de assassinatos de jovens, de mulheres estrupadas, de crianças comercializadas, de crime organizado, de roubo de terras dos indígenas e dos quilombos herdeiros da escravidão, da exploração e martírio das famílias camponesas, da invasão estrangeira das terras produtivas e florestas nacionais, da promoção das drogas e perversões através dos meios de informação social, da privatização do ensino e da saúde, da transformação das cidades em campo de guerra sem segurança, de uma elite política corrompida para manter o povo na miséria, impõe a defesa dos Direitos Humanos para além da mera caridade pessoal que mal corrige os efeitos locais dos crimes. A única defesa eficaz dos Direitos Humanos é o combate às suas causas que se enraizam na miséria em que os ricos mantêm a maioria do povo para garantirem os seus privilégios de classe.


Zillah Branco

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