sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Independência, condição de soberania



A história da humanidade apresenta, ao longo dos milênios, várias formas de luta pela liberdade dos indivíduos quando estão ameaçados por um domínio explorador que não respeita a integridade e os direitos naturais dos seres humanos. Para o seu fortalecimento  agrupam-se a partir da família a outros com que tenham afinidades. O idioma é um forte laço que permite o entendimento e a troca de informações, que vão levar a reflexões sobre questões práticas ou abstratas e ao estabelecimento de princípios éticos e planos de defesa da comunidade.

No confronto com inimigos lutam e defendem os "seus". Vencidos e escravizados, a sua coesão sofre fraturas.  Ao surgirem momentos de libertação, voltam a unir-se aos que são capazes de restaurar a antiga comunidade. Procuram outras comunidades em condições de vida semelhantes às quais se associam dando origem a povos que aceitam normas de convívio e de organização social comuns.

Ao surgir um povo agressor, dotado de recursos e conhecimentos superiores à capacidade de defesa existente naquelas comunidades, lutam e sucumbem frequentemente. São escravizados para prestarem os serviços que interessarem aos dominadores. As formas de uso do poder corresponde ao estágio de desenvolvimento alcançado pela sociedade que se estabelece como "dominante", desde a definição do escravo como "animal" para suprir todas as necessidades do seu "dono", até o convívio social em que os vencidos vão constituir classes inferiores diferentes.

Toda a história do colonialismo explica a formação de Estados dominados pelas nações dominantes. Surpreende-nos que a literatura do início do século XX revele a "descoberta tardia" de que os seres humanos dominados quando ainda viviam em comunidades dispersas não eram "animais". Tal "crença" foi alimentada por correntes religiosas que defendiam o sistema da colonização, apesar de existir uma discussão intelectual, fechada entre os eruditos, que a contestasse há, aproximadamente, quatro séculos. Assim foi estruturado o preconceito racial, vigente nos dias de hoje, que sempre favorece o sistema de exploração social e econômico.

Com o evoluir do conhecimento científico e as conquistas dos trabalhadores de seus direitos humanos e sociais, o domínio sobre povos considerados "subdesenvolvidos" ou do "Terceiro Mundo" passou a ser contestado por correntes filosóficas, religiosas e políticas que se expandiram pelas sociedades através do sistema de ensino universitário, da comunicação social e da formação de partidos e movimentos sociais. Durante o século XIX proliferaram as ações revolucionárias tanto na Europa como em Estados colonizados que introduziram o conceito institucional de soberania ligado à condição de independência a ser desenvolvida como um processo gradual de criação de estruturas jurídicas, econômicas e políticas.

Na sequência da revolução industrial e da disseminação do movimento republicano e da libertação dos escravos nas nações europeias e suas colônias, ocorrem as duas grandes guerras que definem um novo desenho das nações soberanas e da correlação de forças entre elas. Como instrumento de equilíbrio e diálogo é definida em 1945 uma Carta das Nações e a Organização das Nações Unidas, com os vários serviços específicos para atender e promover as conquistas da humanidade. Idealmente estabelecia-se a igualdade de direitos nacionais e individuais para todos os povos.

Somos já três gerações adultas a acompanhar o exercício desta instituição internacional que afirma o direito dos povos de viverem em harmonia graças ao respeito pelos direitos democráticos dos Estados existentes e de igualdade das suas populações. O conhecimento da vigência da ONU em mais de sete décadas, mostra-nos a necessidade  dos povos - em especial as classes trabalhadoras, mas também de estudiosos vários que defendem os princípios de igualdade dos cidadãos e de democracia do sistema social, econômico e político nos países, - manterem uma luta permanente para contrariar a tendência das elites poderosas de explorarem de todas as formas os trabalhadores e privarem as suas famílias das condições necessárias de sobrevivência com acesso à defesa da saúde, à formação escolar, à habitação condigna, à segurança social, que existe para os estratos sociais mais abastados na sua sociedade. A igualdade de direitos é prometida a nível judiciário mas, comprovadamente, não existe na vida real. Ou seja as leis existem, mas não são aplicadas a favor de qualquer cidadão. O mesmo ocorre com a democracia - depende da vontade da elite poder. É uma característica do sistema onde domina o capital.

Os direitos de cada cidadão são avaliados à luz dos preconceitos com que a elite poderosa que comanda o sistema defende o seu poder: de classe, de raça, de idade (as crianças e os idosos são desprezados), de gênero, de opção ideológica e religiosa. no entanto existem leis sobre a igualdade entre todos.

Também existem desigualdades "justificadas pelo sistema" decorrentes da condição do Estado em relação à metrópole que o coloniza ou do acordo firmado com uma Federação ou União. De modo geral a Nação gere as relações dos seus Estados, autônomos ou não, com as demais nações, e recolhe uma percentagem da economia para manter um equilíbrio entre todos e garantir a defesa geral.

Na América Latina temos assistido os efeitos catastróficos dos tufões e outros acidentes climáticos que destroem as habitações, as infra-estruturas sociais e dizimam as populações (colonizadas por ricas nações europeias ou pelos Estados Unidos), e depois recebem das metrópoles uma ajuda como outros paises oferecem a título de solidariedade. Se alargarmos a vista, veremos que o mesmo ocorre em outros continentes (ainda "subdesenvolvidos") da mesma maneira senão pior. Na rica nação dos Estados Unidos os fenômenos climáticos devastam sempre os Estados onde vivem os imigrantes africanos e latino-americanos, sendo um território retirado ao México em tempos passados.

As lutas pela independência são cada dia mais difíceis diante da concentração dos poderes internacionais nas mãos de uma elite internacional que resultou da formação da ONU sob a liderança dos Estados Unidos. Mas existem vários Estados europeus que conseguiram um estatuto de autonomia que lhes permite manter algumas características próprias relacionadas com o idioma e alguns aspectos da cultura originária. Neles o povo passa a vida vigiando para não ser prejudicado pelo governo central federal que, de modo geral, mantém o preconceito contra o "irmão" que afirma com orgulho as suas diferenças.

Este foi o caso da Catalunha, Estado autonomo e fonte de riqueza da Espanha. Com história passada de lutas e vitórias, fortaleceu-se durante o período em que a Espanha adotou o regime republicano, promovendo a industrialização. A ditadura de Franco instituiu um regime parlamentar com o rei indicando o Presidente e aboliu as instituições criadas pela Catalunha - segurança, saúde, ensino, cultura - e proibiu o uso do idioma catalão. Com o fim da ditadura,1975/89, todas estas instituições foram recuperadas criando-se um novo estatuto de autonomia.

Em 2006 o governo de direita de Mariano Rajóy declarou não válidos alguns artigos, gerando uma relação considerada de discriminação contra os catalães que defendiam o seu idioma e cultura como "nacionais" e a organização política republicana e autônoma.

Para solucionar o problema tratado pelas instância jurídicas do governo espanhol, o Presidente do governo catalão convocou em 2017 um referendo popular com mais de 2 milhões de eleitores obtendo 90% a favor da constituição de um Estado independente. O governo central enviou forças policiais que invadiram os locais, levaram urnas e feriram centenas de eleitores. Para conduzir um diálogo com o governo da Espanha, o governador da Catalunha apelou para que a população respeite a paz social e colabore com as suas opiniões sobre os passos de um processo para serem criadas as condições para a independência.

Não é fácil introduzir nos debates políticos que ocorrem sob as regras autoritárias do sistema capitalista, a idéia de que as decisões de mudanças de relação entre Estados evoluem como um processo que recebe a participação popular. A república de Cuba, revolucionária e independente, reconhece a importância de atos como o da libertação dos escravos pelo proprietário rural Céspedes no século XIX desencadeando um movimento histórico que deu início ao processo revolucionário que levou à conquista do socialismo.

Também não é fácil o diálogo entre os que consideram a independência uma necessidade para impedir a imposição autoritária de medidas que eliminam a liberdade de um povo e os que veem a independência de um Estado dominado como a perda econômica e política de parte do seu poder.

Zillah Branco

domingo, 10 de setembro de 2017

Furacões provocam o cáos nas sociedades colonizadas




A mídia internacional promove o medo junto às populações afetadas pelos furacões, reproduzem entrevistas com pessoas desesperadas, vão somando os mortos e exibindo imagens catastróficas. Os cálculos são dos mil milhões necessários para os novos investimentos. Quem morreu, morreu, coitados.

Para surpresa dos que vêm nos Estados Unidos uma nação mais rica que domina recursos e técnicas ainda inexistentes nos países sob a tutela colonialista - nas ilhas S.Martim e Barbuda, República Dominicana, Porto Rico e Haiti - assiste ao desespero das populações resolvendo por si os problemas de segurança e abastecimento enquanto as autoridades dão conselhos e tentam à última hora organizar centros de acolhimento. As imagens revelam a comercialização frenética de supermercados, as estradas repletas de foragidos, as cidades invadidas por águas e ventos destruidores que acumulam casas e carros destroçados, o preço das passagens de avião passam de centenas a milhares de dolares para escapar do Estado ameaçado. Realmente é um caos pavoroso!

O Presidente Trump repete com decisão uma dúzia de adjetivos (fantástico!!!) para elogiar os que lutam para sobreviver, como se o seu reconhecimento fosse uma espécie de proteção divina, e sua esposa, com as mangas arregaçadas e roupas desportivas, entrega pacotinhos de alimentos aos desabastecidos como prova da sua intenção democrática. O Presidente da França, Macron, com ar de urubú enxarcado, faz um discurso de luto ao descobrir que as remotas ilhas das Caraíbas pertencem à nação que governa, onde a população estava a lutar sozinha sem a suposta proteção colonialista. Trump manifesta os seus sentimentos a Macron e, juntos, comparam os milhões a serem investidos para a recuperação dos equipamentos destruidos nas respectivas nações. Lamentam as mortes.

Diferente é revelado pela TV de Cuba durante os mesmos dias em que o mundo acompanha a trajetória mortífera dos tufões. Ali as autoridades informam sobre as medidas que desde o anúncio dos fenomenos foram tomadas para proteger as populações e as estruturas de produção nacional. Ao lado das autoridades que distribuem meticulosas informações indicando como agirem para garantir a segurança de todos levados para lugares de acolhimento prèviamente preparados e abastecidos pelas comunidades organizadas. A unidade entre populações e autoridades no enfrentamento conjunto permite maior esperança de sobrevivência que os discursos adjetivados ou chorados de governos que controlam a vida financeira das nações. O tufão torna-se conhecido através das explicações científicas e é acompanhado com interesse para incomodar menos. Não há desespero nem medo quando a população integra um plano nacional de defesa. Assim age um governo revolucionário em regime socialista.

A televisão cubana consegue dar informações científicas e técnicas, a partir das fotos da NASA sobre os olhos dos furacões, mas também mostrar os pontos geográficos a serem protegidos, as produções de energia, água, recursos naturais para a indústria, agricultura e pescas, educação e saúde, transporte, locais de proteção, e percorre todos os serviços do Estado e das comunidades que informam sobre a situação real existente e os planos de ação que integra os populares. É uma defesa conjunta, do país e do povo, dispensa falsos elogios e lágrimas de crocodilo.

O saldo deixado na Ilha Comunista pela devastação dos furacões foi causado pelas altas ondas marítimas que invadiram estradas e atingiram casas, onde os seus moradores haviam prevenido a segurança dos seus bens e de suas vidas, árvores e postes de eletricidade foram partidos pelo vento, alguns prédios antigos cujas paredes não resistiram ao ímpeto dos elementos. Não há mortes a lastimar, apenas alguns acidentes que resultaram em traumatismos logo tratados nos postos de saúde organizados em locais seguros.

Enquanto que nos Estados Unidos e nos paises dependentes do sistema capitalista as pessoas correm atrás de produtos para sobreviverem enfrentando filas e preços elevados nos supermercados, cada um por si e contra o outro, em Cuba o Estado, ligado às autarquias locais e associações de moradores, preparou locais seguros, com equipes médicas e abastecimento para receber as populações das respectivas regiões. Todos se empenham na defesa nacional, ninguém pensa no lucro individual com a desgraça alheia. O cáos não se instala. A solidariedade impera. Foi feito um Plano de ação administrativa com base em um Prognóstico científico desde a formação dos furacões. A ONU saudou a capacidade impar de Cuba na defesa da sua gente e da economia nacional.

Aliás, todos sabem que o agravamento desses fenomenos climáticos se deve ao maior aquecimento da atmosfera, à destruição da natureza no planeta. E os Estados Unidos não participam nas conferências mundiais para assumirem a sua responsabilidade e controlar o desvario das suas empresas em alcançar o maior lucro com o sacrifício dos humanos. E, depois de ter lançado as primeiras bombas atômicas sobre a população civil do Japão que perdera a guerra, agora levanta arrogantemente a cabeça do Presidente para enfrentar a ameaça do seu homônimo coreano como se a humanidade fosse secundária nesta competição irresponsável e criminosa.

Zillah Branco

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

frente ampla, popular e de esquerda!




Com o fim da segunda Grande Guerra - que deu início à Guerra Fria promovida pelos "aliados" sob a orientação da chefia imperial dos Estados Unidos que usaram as bombas atômicas para ficarem como heróis da vitória soviética incontestável - tornou-se claro para os revolucionários que a luta por um sistema alternativo ao capitalismo deveria integrar todos os cidadãos que tivessem consciência de que, em primeiro lugar, interessa defender o desenvolvimento do ser humano, a sua integridade física e mental para, com o trabalho, criar maiores recursos para as sociedades em paz.

Os artifícios políticos para estigmatizar as conquistas do socialismo na URSS (seguidos dos processos revolucionários na China, na Coreia do Norte, no Laos, em Cuba e no Vietnam), destruiram os caminhos abertos pela brilhante intelectualidade que nos Estados Unidos produziram literatura, cinema, música, ciência, que teriam enriquecido o patrimônio mundial não fosse o famigerado "macartismo" que minou as novas instituições universitárias e midiáticas que zelavam pela democracia e o humanismo. Com o poder do ódio irracional foi introduzida a marca fascista e autoritária no conceito capitalista de "democracia".

Como rastilho de pólvora, da grande potência capitalista irradiou a perseguição sem tréguas contra os comunistas e revolucionários em geral. Ao mesmo tempo em que eram intimidados os democratas com os riscos de discriminação social que limitavam carreiras profissionais e participação nos benefícios do desenvolvimento social, foi criada e divulgada amplamente uma "cultura anti-comunista e anti-revolucionária" que preparou as novas gerações para demonizarem as naturais tendências de solidariedade humana e de respeito social como a negação de todo o progresso traduzido em acumulação de riqueza e de promoção de uma elite dirigente.

Incutia-se subtilmente o desprezo pelos mais pobres, pelos desvalidos, pelos mais simples, com os mesmos critérios do mundo medieval, mas adoçados pela compreensão caritativa dos que distribuem esmolas, e justificavam os projetos colonialistas "que levavam o desenvolvimento possível ao terceiro mundo", "a paz e o progresso" aos vizinhos latino-americanos, enquanto as empresas transnacionais se instalavam em países alheios para explorar as riquezas naturais que o seu povo "inculto" não saberia fazer. O racismo consolidava-se como "princípio científico" que facilitava a escravidão disfarçada  imposta às etnias que emigravam para o mundo "dos brancos".

Assim como durante a revolução industrial os camponeses dos países mais ricos da Europa deixaram as suas pátrias e emigraram para colonizar as nações indígenas do terceiro mundo e manter a subordinação cultural (e institucional) aos países de origem, na Europa foram importados trabalhadores de outras etnias para suportarem as discriminações sociais que limitam a frágil democracia da moderna burguesia em ascensão. As elites dominaram facilmente a política fantasiada de "democrática" (onde analfabetos ou sem rendimentos não votam e o Estado contrata funcionários nas famílias dos poderosos) e o povo mistura-se à paisagem enevoada como uma necessária "abstração". Situação semelhante é vivenciada presentemente no Brasil.

Como o conceito de "cultura" passou a ser confundido com o de "formação escolar", e o de "inteligência" com "nível intelectual", a elite levantou o seu muro em torno dos seus postos de comando e os "sem escola" acreditaram estar fora do âmbito da "democracia ilustrada". Mas, o processo revolucionário prosseguiu na sua meta de ganhar entre os democratas os que são coerentes com a própria noção de dignidade humana e de integridade como cidadão. Com as inúmeras falhas do sistema capitalista - as ambições desmedidas de lucro que se confundem com roubo, as grandes espertezas que atropelam os valores elementares da decência, o descuido dos super-poderosos que revelam ignorâncias crassas (lembrar Bush, Temer, Trump...), a prepotência dos que não avaliam a inteligência dos ingênuos ou dos simples - foram acentuando os abusos da elite, as injustiças, os crimes da elite mandante e esclarecendo os que seguiam os seus caminhos distraidos com as conquistas individualistas sem olhar para o lado social. Cresceu o número dos que reconhecem a necessidade de mudanças na estrutura política que nāo se resolve mudando apenas o representante do comando, mas o comando em si. Hoje é visível o descrédito geral em relação aos que comandam o sistema capitalista irresponsável no risco de guerra atômica e nas chacinas sobre populações civis desesperadas.

Surge hoje na América Latina, com peso determinante, a manifestação popular que se organiza em função das estruturas de trabalho e de lutas específicas pelos seus direitos, despertam camadas sociais com privilégios de formação escolar para o reconhecimento da justiça que orienta as reivindicações populares, grandes especialistas nos conhecimentos da administração do Estado e na defesa da soberania nacional levantam as suas vozes com modéstia revolucionária junto à do povo, organizam-se os partidos de esquerda assim como as religiões tradicionais para promover a unidade entre todos estes patriotas formando uma Frente Popular Ampla de Esquerda!

Os partidos de esquerda enfrentam os seus problemas internos que refletem os da própria sociedade, eliminam os individualismos que bloqueiam as ações coletivas da grande maioria da população e os medos acumulados com a experiência sofrida de seguidas derrotas parciais sob um sistema adverso, fortalecem a compreensão fraternal que está acima dos preconceitos de classe cristalizados na linguagem elitista e ressalta os pricípios que são o seu patrimônio ideológico de uma luta secular. Este será o eixo de uma nova composição ampla com os que são capazes de acompanhar as conquistas da esquerda, dos humanistas, dos desvalidos, sobre o poder do capital e do enquistamento conservador das velhas elites, contra os que vendem a Pátria e a soberania da Nação e a dignidade dos cidadãos.

O Brasil será vitorioso! A América Latina será fortalecida! Os povos construirão as suas vidas!

Zillah Branco

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

O "povo abstrato" e o Estado social "supermercado"



Reprovado nas pesquisas e nas ruas com 94% de condenação popular, o governo de Michel Temer vê aumentar o número de manifestações nas ruas do Brasil que combatem as propostas de reforma da Previdência, de redução dos direitos trabalhistas e as desigualdades que acentuam a distância entre quem trabalha para sobreviver e os que detém o capital e o poder político.

Desemprego, corte nas Bolsas Família, venda das empresas nacionais ao desbarato, perseguição aos manifestantes nas ruas e líderes de movimentos sociais, destruição das conquistas educacionais e de atendimento médico alcançadas pelos governos Lula, assassinatos de líderes camponeses, asfixiamento do setor produtivo, delapidação do patrimônio nacional, tentativa de destruição do Mercosul e da Alba, traição aos países latino-americanos em luta pela soberania nacional, submissão à política imperialista expansionista e criminosa que ameaça a humanidade e a natureza no Planeta - o governo golpista transforma o Estado Social em um "Supermercado SA" que vende os produtos com farta publicidade enganosa e não atende às necessidades reais da população consumidora. O povo não manda no seu país, existe como parte da paisagem.

Marx, no Manifesto Comunista refere esta condição da organização do Estado, disfarçada pela retórica ficcional da classe dominante que valoriza a aparência em detrimento da essência, com a frase: “Um comitê para gerir os negócios da burguesia” em lugar da representação popular.

O Governador do Maranhão, Flávio Dino,  recomenda: "Cabe a quem governa não se perder no cipoal de burocracia, normas e contas. É preciso lembrar que cada decisão de Governo tem repercussões na vida de seres humanos, que são a parte mais importante da “contabilidade pública”.

Mas os fantoches golpistas não estão interessados nos seres humanos, apenas nos altos cargos que ocupam e na multiplicação das suas fortunas. Estão no poder mas são efêmeros, enquanto que a humanidade continua a sua evolução alcançada sempre com o trabalho e a transformação da realidade no sentido do progresso.

Quando o presidente Truman, dos Estados Unidos, determinou o uso da bomba atômica contra Hiroshima e Nagazaki no Japão para afirmar o seu poder depois da vitória soviética na segunda guerra mundial, os cientistas que tinham descoberto o uso pacífico da teoria atômica em benefício da humanidade, protestaram recebendo o apoio de milhões de defensores da Paz espalhados por todos os continentes. Hoje são os japoneses a proporem a paz a Trump, que sucede e faz recordar Truman há sete décadas atrás quando mandou matar mais de 200 mil civis japoneses em represália ao inimigo já vencido. Um chefe do governo imperial anti-ético e desequilibrado.

Ultrapassada esta fase de retrocesso no Brasil, o povo está com o conhecimento das suas necessidades para exigir um Estado soberano com organização das forças produtivas nacionais e condições de desenvolvimento social do povo trabalhador e dos técnicos e cientístas com os valores patrióticos que se requer. Um programa de governação realmente brasileiro, que respeite a soberania e a independência nacional, integrado na Comunidade latino-americana em luta, a partir do conhecimento objetivo da realidade humana, social e económica para escolher brasileiros com caracter e competência para enfrentar responsavelmente a tarefa governamental e de transformação do atual estado/supermercado em Estado Social e Institucional.

Cada setor do Estado exige a defesa econômica e política para melhor aproveitar a riqueza do território e do conhecimento técnico para a produção - de energia, de transportes, de habitações, de infraestruturas, de saúde, de ensino, de segurança social, de segurança pública, de controle fiscal, de administração pública, de legislação e justiça, de organização do trabalho, de formação cultural e artística, da proteção ao ambiente, da produção agrícola e pastoril, etc. - e ainda a prestação de serviços à população com a qualidade que existiu em tempo de democracia - lembremos os debates sobre a escola pública, as manifestações sobre o "petróleo é nosso", a defesa das nacionalizações, a exigência da Reforma Agrária, a defesa da "Amazônia", a industrialização, e tantos outros projetos que apontavam a elevação do nível de capacidades de trabalho e de conhecimento científico e político adquirido para fundamentar o desenvolvimento nacional. O Brasil tem um patrimônio científico, técnico, cultural de alto nível capaz de colaborar com um programa de luta social, sindical e popular.

É urgente organizar a visão global do Estado através de estudos particulares sobre cada área de produção e de prestação de serviços públicos para que as instituições do Estado Brasileiro sejam conhecidas no seu conteúdo, no valor econômico e político, e também no exercício dos serviços prestados quanto à meta de atendimento social e não apenas "consumo de um produto" de mercado. Um aspecto a ter presente é o papel dos servidores diretos ao público que, apoiados por sindicatos podem agir solidariamente com o cliente popular apesar das pressões impostas pela hierarquia das chefias subordinadas a comportamentos muitas vezes contrários aos objetivos patrióticos.

Um exemplo de erros acumulados na produção e distribuição de recursos nacionais temos na história da energia elétrica no Brasil, que hoje está nas mãos de empresas privadas quando deveria constituir importante área do Estado na produção de energia e defesa da soberania nacional, estabelecendo a clara relação entre a função econômica e técnica de um Estado com a prestação de serviços à população (o Estado Social).

Ao serem contratadas empresas estrangeiras monopolistas em meados do século passado - como a Light e outras - o Estado perdeu a sua soberania e o Estado Social foi transformado em um balcão comercial ao serviço das multinacionais. O povo ficou à margem, apenas comprador do produto, e o país sofreu uma degradação política que se verifica até hoje. Decisões que alteraram a geografia e o ambiente nacional, como foram as de retificação do leito do rio Tietê e a inversão da corrente do rio Pinheiros em São Paulo, foram tomadas por engenheiros do Canadá e dos Estados Unidos à revelia dos moradores das suas margens, dos pescadores e navegantes, da população pobre e trabalhadora do grande e rico território do Estado de São Paulo que, na sua maioria, desconhece esta imposição estrangeira ao curso das águas brasileiras. E este é apenas um exemplo visível, fotografado, registrado, do desrespeito pela soberania nacional.

Este mesmo abandono da função social do Estado hoje ameaça a escola pública dos três importantes níveis de ensino responsáveis pela formação dos cidadãos brasileiros de cuja inteligência e trabalho depende o progresso nacional. Para não falar da destruição do SUS em benefício de empresas privadas e laboratórios multinacionais; ou da Segurança Social que desconhece os acordos internacionais para que o trabalhador emigrante possa somar os benefícios adquiridos nos dois ou mais países onde trabalhou e descontou para o serviço previdenciário; ou da Agricultura que aceita a agro-indústria imposta pelas empresas estrangeiras de fertilizantes químicos e sementes transgênicas nocivos à saúde, etc... A lista de crimes de "lesa a pátria" é imensa e agrava-se com o colapso jurídico nacional e os cortes orçamentais que abrem caminho à miséria do povo em um país de território rico.

A definição de um programa reconhecido e apoiado pelo povo e fundamentado por cidadãos  competentes ao nível da administração pública que já deram provas do seu saber e das suas convicções éticas e humanistas - portanto patriótas e democratas - é o que o Brasil hoje tem urgência em implantar.

Zillah Branco

domingo, 20 de agosto de 2017

A origem do terrorismo actual



As nações europeias que, atravez da Nato participaram nas agressões promovidas pelos Estados Unidos aos países do Oriente Médio, do Norte da Àfrica, passaram a receber os milhões de foragidos tornados emigrantes como recurso à sobrevivência. A questão foi vista como humanitária até que a avalanche de problemas de acolhimento começou a ser entendida como econômica e financeira pelas nações mais ricas - Alemanha, Inglaterra  e França. A Grécia e a Itália, apesar de mais pobres, sofrem como portos os primeiros impactos da chegada dos que sobrevivem aos afogamentos no mar Mediterraneo e no Egeu e defendem nas praias a sua economia, criando campos de refugiados que lhes permitem esquecer a sensibilidade ao apelo humanitário daquele quadro de horrores, deixando-os abandonados aos assaltos criminosos.

A partir de 2016 todo o território da União Europeia assumiu esta farsa de solidariedade com os que fogem aos problemas das guerras por eles criados em submissão à política imperialista norte-americana. A criação do grupo terrorista "Estado Islâmico" (cujo nascimento é atribuido aos Estados Unidos) passou a actuar directamente sobre as sociedades mais ricas que exibem a sua liberdade no enriquecido sistema turístico que disfarça os problemas das suas populações empobrecidas com festivais grandiosos, programas milionários de férias, exibição de falsa alegria promovida por sons ensurdecedores e uma cultura imposta pela mídia para ocultar a realidade sob a imagem mentirosa e degradante da felicidade de cada um acima das possibilidades de sobrevivência dos humanos trucidados.

Este filme, que mascara uma criminosa verdade, visível para quem observa com os próprios sentidos e julga éticamente, atraiu o ódio de adolescentes que se tornaram terrorista formados pela escola imperialista. São muitos, das sociedades destruidas por mísseis, mas também os das que os recebem, alheios à realidade tenebrosa, transformados em alegres robôs de uma falsa cultura. Os atentados se multiplicam em Paris, Londres, Madri, agora em Barcelona, matando inocentes, que são vitimados como as populações inocentes dos países ricos em petróleo que atraíram a cobiça imperialista.

Por outro lado, em Portugal, consumido pelos fogos devastadores da sua floresta transformada em eucaliptos para exportação por governos de direita que tentaram destruir a revolução de 1974, são detidos mais de 70 criminosos que atearam as chamas por razões várias de "mente fragilizada", confessadas ou não. Os loucos foram produzidos pelo sistema do capital que transforma a vida social numa venda de produtos, as leis em normas contabilísticas, os cidadãos em números, as mentes em depósito de ilusões. Os fogos ocorrem devido à secura do ar, aos ventos oscilantes, às pontas de cigarros dos distraídos ou loucos ou prestadores de serviços aos terroristas que querem derrotar nas próximas eleições quem hoje governa com preocupações democráticas e os que lutam ao lado dos bombeiros.

As notícias que a mídia internacional oculta, circula pelas redes de comunicação na internet traduzindo as mentiras e filmes de um turismo feliz que enriquece os donos do capital, para uma população que no mundo inteiro quer preservar as futuras gerações da alienação forjada pela "polícia do planeta", para que cresça consciente da necessidade de salvar a humanidade. Lemos no blog Opera Mundi, com informações da ANSA:

"De acordo com dados compilados pelo Nation Institute e pelo Center for Investigative Reporting e publicados em 22 de junho, simpatizantes da extrema-direita cometeram quase o dobro de ataques em solo norte-americano do que extremistas islâmicos entre os anos de 2008 e 2016.

O relatório contabilizou um total de 201 incidentes terroristas domésticos no período, sendo que 115 deles foram cometidos por seguidores de ideologias de direita, tanto os chamados defensores da "supremacia branca" quanto militantes patrióticos e neonazistas.

Outros 63 foram motivados por ideologia política teocrática aventada por grupos como o Estado Islâmico (EI). Dezenove casos registrados no período foram cometidos por organizações que seriam de extrema-esquerda, incluindo ativistas do meio ambiente, de direitos humanos e anarquistas.

Esses atos da extrema-direita são, em sua maioria, episódios de violência e agressão, que geram mortos ou feridos, e vandalismo de propriedades públicas ou privadas. Dos 63 episódios de terrorismo islâmico identificados pela pesquisa, 75% deles foram frustados pela polícia, ou seja, não ocorreram, e 13% provocaram mortes. Entre os casos de ataques da extrema-direita, apenas 35% conseguiram ser prevenidos, o que totaliza 79 mortes no período (índice de fatalidade em 30%) e comprova uma falta de atenção do sistema de segurança para este problema.

Nos atentados islâmicos, o balanço é de 90 vítimas - número maior apenas devido ao tiroteio em Fort Hood, no Texas, que deixou 13 mortos e 32 feridos em 2009.

"Os EUA são a pátria do fundamentalismo, que nasceu no território americano no século 20 e se espalhou pelo mundo, inclusive para o Oriente Médio. Mas, nos EUA, esse fundamentalismo criou uma ponte ideológica-política", disse o historiador e especialista em Relações Internacionais Sidney Ferreira Leite, da Faculdades Belas Artes.

"Usualmente, vemos homens brancos que começam a atirar contra as pessoas na rua, ou grandes atentados como o de Oklahoma", afirmou, referindo-se ao ataque de 1995 cometido pelo ex-soldado neonazista Timothy McVeigh que deixou 168 mortos e 850 feridos.
Organizações

A ONG Southern Poverty Law Center (SPLC), que monitora grupos de ódio nos EUA, contabiliza 917 organizações extremistas em atividade hoje no país. Elas se dividem em vários níveis e segmentos, como os supremacistas brancos (que acreditam na superioridade da raça branca e são xenófobos), a Ku Klux Klan (que ficara famosa no século 19 e é extremamente racista) e os neonazistas (que tentam resgatar a ideologia nazista da raça ariana, do antissemitismo, da xenofobia e da homofobia). Dos 917 grupos de ódio em atividade nos EUA, 130 seguem a KKK, 99 são neonazistas, 100 são nacionalistas e 43, neoconfederados.

"Trump tem um novo problema dentro do conjunto de prolemas que ele mesmo ajudou a criar. Ele instiga essas ações de violência, que já existiam, mas que agora são como uma bolha que estoura", disse o analista de Relações Internacionais. " (reproduzido pelo Portal Vermelho 20/08/17).

Antes que desliguem a internet temos de formar grupos de discussão, associações comunitárias e de classe,  sobre os caminhos de luta e  a verdadeira vida planetária, internacional, nacional, da nossa classe social, familiar, para resistirmos às formas de poder dos que acumulam o capital e divulgam mentiras para promover falsas festas que transforman os seres humanos em imbecís e loucos.

Zillah Branco






sábado, 12 de agosto de 2017

A mistificação do sistema capitalista




Temos hoje uma uma visão geral dos problemas de impotência das instituições democráticas e da luta de classes não só na Venezuela mas em toda a América Latina, diante das condições herdadas da colonização ha 500 anos e da neocolonização posterior que manteve um sistema oligárquico de poder. A ambição permanente dos países desenvolvidos e a ação imperialista assumida pelos Estados Unidos ha mais de um século, como ponta de lança do expansionismo capitalista, tem sido um entrave ao desenvolvimento das forças produtivas e de uma consciência de classe na defesa da soberania das nações.

Vivemos um momento difícil em que, para participar em alianças políticas vemos desaparecerem os princípios éticos que são a base da realização de um processo revolucionário capaz de impor o socialismo como sistema. Como na inesquecível novela "O casarão", de 1976 na Globo, em que o velho fazendeiro Atilio, representado por Mário Lago, "misturava com uma varinha os excrementos de galinha em uma banheira para produzir ouro", estamos sempre acreditando nas mentiras que os traidores da pátria dizem e deixando o povo à margem, afogando a sua decepção e consciência de luta na miséria crescente que é física e mental. Temos de sair deste círculo vicioso e rediscutir os princípios essenciais de que a nossa luta depende, temos de unir uma juventude ainda saudável e traçar novos caminhos para não sucumbir nesta fase que deve ser de extertores do capitalismo com os lideres boçais eleitos ou golpistas (Trump, Temer e tantos outros pelo mundo).

De pouco servirá comemorar o centenário da Revolução Soviética promovendo apenas uma recordação respeitosa de um passado de luta e heroísmo, que deve ser atualizado para ser devidamente honrado. Nesta sociedade de robôs serão liquidados os sindicatos, as uniões, os partidos democráticos, se continuarem amarrados às leis criadas pelo "poder judiciário capitalista" que é mais forte que os eleitos no processo de "faz de conta" como se escolhidos pelo povo.

Hoje falam em 27 milhões de escravos no mundo moderno, reconhecidos na classe dos despossuidos, e todas as semanas morrem afogados levas de foragidos das guerras no oriente médio e norte da África nos mar Mediterrâneo e mar Egeu, para não falar nos famélicos abandonados em precários campos de refugiados que a ONU não consegue manter. Agora no Brasil, com os cortes ás bolsas famílias, a miséria invade um país reconhecidamente ríco. Os que sobrevivem são assaltados pelos comerciantes de sexo, de escravos, de órgãos humanos, protegidos pelo sistema capitalista que alimenta a destruição da humanidade e da natureza planetária.

Devemos acrescentar os muitos milhões de cidadãos da classe média a caminho de uma forma de escravização mental, que consideram como profissões: a prostituição (de bordel e de casamentos oportunistas), as barrigas de aluguel sem protecção institucional e de assistência médica, os jogadores de futebol e de outros esportes que são vendidos aos clubes como um "produto", e outras situações juridicamente contraditórias de subordinação da liberdade pessoal aos compradores de direitos dos cidadãos, visivelmente a moderna escravidão humana.

Devemos denunciar a midia e outras instituições que fazem a divulgação promocional desses crimes, assim como dos empregadores que não respeitam as leis laborais e mantêm o sistema precário de emprego, sem garantias, que esvaziam os sindicatos e oprimem duplamente os trabalhadores, os traficantes de seres humanos e os divulgadores de uma cultura de subserviência que modela negativamente as gerações mais jovens e leva as populações à depressão mental por ausência de esperança na dignidade e na vida.

A democracia tornou-se um falso cenário adaptado aos interesses do capitalismo. É uma cópia mal feita e estática, fora do seu processo de desenvolvimento, das conquistas dos trabalhadores reconhecidas e adotadas plenamente apenas pelo sistema socialista implantado pela Revolução de Outubro de 1917. Com este arremedos de social democracia foram minados os conhecimentos científicos, como por exemplo nas áreas do atendimento médico e de assistência social, de forma a ser priorizada a ação comercial e a circulação do capital em benefício das instituiçōes privadas (laboratórios e clínicas que produzem industrialmente e em sistema competitivo), gerem a recolha de impostos e a entrega de pensões e aposentadorias por idade ou carência física. A produção de medicamentos tornou-se uma das maiores indústrias químicas do planeta que visa a competição entre as marcas promovidas pela mídia e a simulação de tratamentos que podem atenuar os problemas físicos dos utentes e criar novos problemas que exigirão novos tratamentos e drogas. A recolha de impostos para atenderem as situações de desemprego, velhice ou incapacidades para o trabalho, é gerida como capital a ser investido para a obtenção de lucros bancários e sofre os riscos de perda de valor conforme as crises sistêmicas determinarem. Objetivamente a proteção do ser humano não se impōe como o fator fundamental que justificaria as instituições criadas. O médico deixou de ser um cientista, sequer tem condições de conhecer o cliente, e repete as cartilhas dos laboratórios adotadas pelo país mediante acordos políticos.

O mesmo ocorre com outras instituições do Estado como transportes, segurança, educação, obras públicas, agricultura e produção animal, pescas, higiene pública e recolha de lixos, distribuição de água e energia, e o sistema judiciário que defende os interesses dos setores privilegiados manipulando as leis votadas pelos Parlamentos e penalizando a população trabalhadora e os desvalidos. A única ajuda que o cidadão pode ter depende da capacidade e dedicação pessoal de funcionários dotados de formação humanísticame coragem para enfrentar as condições impostas pelo serviço público ou privado.

Da mesma forma como são manipulados os produtos farmacêuticos que afetam a saúde humana e os químicos que alteram a natureza, as leis são condicionadas às formulas políticas que sustentam o domínio da sociedade por uma elite privilegiada. O pobre é criminalizado e perde a liberdade por um pequeno delito para poder sobreviver e o rico desvia milhões em oprações fraudulentas do sistema bancário com defesa jurídica capaz de isentá-lo de culpas. Tal impunidade tem agravado as crises sistêmicas e desmoralizado a idoneidade das instituições do Estado dito "democrático". Por um lado o sistema político perde credibilidade e só encontra líderes cada vez mais adaptados à prática da desonestidade e do autoritarismo boçal, e os cidadãos tornam-se órfãos dos valores de cidadania e do respeito humano. Qual será o futuro das populações abandonadas? Como repor os princípios éticos de um processo revolucionário?

Zillah Branco














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sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lula é um herói na história do Brasil




As nações em fase de colonização têm o povo no papel de heróis. A justiça, a liberdade, a fraternidade, a honra, permanecem na base empobrecida da sociedade acalentada pela capacidade de sobreviver sem apoios e manter a esperança para os seus filhos.

Lula, galgou os degráus do poder demonstrando ao mundo que o caminho da emancipação nacional tem início na superação da fome e da miséria em que foi atolada a grande maioria das famílias dos trabalhadores. Seguiu um caminho que, na história da humanidade, foi criado por cristãos e comunistas primitivos.  Hoje é um exemplo admirado por todas as nações representadas na ONU.

Ao ser eleito Presidente da República, implantou um programa de Governo comprometido com o desenvolvimento das forças produtivas nacionais levando à todos os brasileiros as condições de cidadania: bolsa família - com a alimentação necessária; escolas em todo o Brasil profundo; saúde - em sistema universal; previdência social - com o reconhecimento de todas as funções profissionais; legislação do trabalho democrática; habitação com água e luz; estradas, caminhos, ruas transitáveis; segurança pública com respeito social; diálogo aberto com o empresariado nacional para que agissem como patriótas. Assim exerceu dois mandados dos quais saiu conservando mais de 80% do apoio popular.

Foi uma obra heróica realizada por um filho do povo brasileiro, reconhecida por mais de 50 milhões de eleitores. Despertou uma população adormecida durante 500 anos, vítimas de dominação colonialista seguida de poderes oligárquicos servís à forças estrangeiras. Tentou unificar pobres e ricos sob o compromisso da solidariedade, da justiça, da fraternidade, da honra de ser brasileiro. Elevou o conceito de patriotismo, de defesa do patrimônio nacional, de nação capaz de trabalhar ao lado das mais antigas e ricas do planeta, merecedora de respeito nos organismos internacionais, sem esquecer o seu papel solidário com todos os países latino-americanos e com os de outros continentes igualmente colonizados. Lula tornou-se um herói para todos os povos que lutam pela independências das suas nações!

Por isso foi condenado agora, sem provas, pelos esbirros golpistas que ocuparam o Governo e o Estado como assaltantes armados por um poder externo!

Ninguém governa sozinho um país! Lula recebeu a colaboração de muitos que se ocuparam da condução do sistema capitalista que domina o mundo ocidental e condiciona todo o mercado mundial. Na sua boa fé, Lula confiou aos lobos a defesa da economia nacional. E foi traído. Recebeu de braços abertos um Meirelles, conhecedor do sistema financeiro formado nos Estados Unidos, e depois foi seguido por vários colegas especializados em bancos na função de Ministros da Fazenda. Aceitou com entusiásmo a colaboração empenhada de um PMDB que durante a ditadura militar destacou-se na batalha pela democracia.

Foi ingênuo? Foi, mas isto é fruto da sua origem popular brasileira, de quem conheceu a tortura da fome e não pode estudar porque muito cedo foi trabalhar para o sustento familiar. Não é crime! Crime é a traição à Pátria, cometida pelos ilustres doutores que o apoiaram por ambição mesquinha e oportunista! Crime, é inverter o papel da Justiça que paga para que um ladrão denuncie um opositor político, que condena um herói da história brasileira para manter um golpista corrupto na posse do mais alto cargo do Governo.

Crime, é manter os invasores do Brasil distribuindo a riqueza nacional entre os seus amigos externos e destruindo a democracia que elevara o povo à condição de cidadania!
Crime, é fazer da política um jogo perverso de cartas viciadas que condena o Brasil à ser novamente colonizado e ter o seu povo escravo!

Diretas, Já! Para salvar a Pátria!

Zillah Branco