sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os pobres na mira

Os pobres são considerados como "o grande inimigo" do sistema capitalista. Desde que criaram os robôs para enfrentarem o trabalho pesado e sujo, consideraram que os pobres estão a mais.


Ocupam um espaço que poderia ficar disponível para embelezarr as cidades e não para as favelas, precisam ser alimentados pelo Estado que não tem vocação para a caridade, criam necessidades especiais de educação, saúde e assistência social que oneram os orçamentos, e estão sujeitos a serem manipulados por gangues que perturbam a segurança social. Assim pensam os "donos do poder do capital, com o seu egoísmo próprio, convencidos de serem os "donos do mundo".

Senão, vejamos.

As alterações climáticas, se não forem acompanhadas pelos governantes, poderão determinar a necessidade de emigração das populações vitimadas pelas secas ou pelas enchentes provocadas naturalmente. Se os governantes forem responsáveis, procurarão com as informações científicas que precedem os desastres cíclicos, desviar rios, fazer obras de rega para alimentar casas e plantios, criar proteções para as populações locais, que amenizam e até alteram os fenómenos climáticos evitando as migrações forçadas e a fome que as acompanha. O despovoamento provoca alterações sociais e económicas destruidoras da cultura e das tradições que enriquecem os povos.

Mas, continuamos a ver em pleno século 20 situações de miséria no chamado Terceiro Mundo que "teóricamente" deixou de ser colonizado, como o era há mais de 500 anos. E então o apoio internacional é do tipo "caridoso" com a organização da "campos de refugiados" e doação de alimentos e pouco mais, que mantém uma "miséria controlada" como Deus quiser. Entretanto os polícias do mundo, (em função imperialista de interesse das nações ricas que permanecem como abutres de olho nas riquezas naturais que não são exploradas pelos atrasados países da região), provocam antigas rivalidades tribais, de caracter étnico ou religioso, que matam tanto como a miséria. Portanto vemos o aproveitamento político e financeiro dos desastres ambientais, que se tornam também cíclicos como as alterações climáticas e mais perversos que ela. Assim "fabricam" pobres aos milhões e ajudam o morticínio deles a curto e longo prazo.

Em alguns lugares surgiram soluções pontuais que os cientistas e técnicos - da produção agrícola, da defesa sanitária e de saúde, do desenvolvimento social e político, do aproveitamento racional da água e da criação de novas formas de utilização das fontes naturais de energia - defendem como soluções inteligentes e possíveis para garantir melhores condições de vida para os povos.

Este foi o caso, por exemplo, da reforma agrária em Portugal a partir de 1975, processo que provocou aumento de produção e produtividade de alimentos, criação de milhares de empregos fixos com remuneração controlada pela legislação laboral, equipamentos sociais como creches, centros de dia para idosos, escolas e centros de saúde, abertura de caminhos, estradas, serviços de regadio, construção de reservatórios de água etc., e que foi interrompido pelos governantes com o pretexto de que a direita (até então uma "maioria silenciosa") ameaçava com uma guerra civil se o processo não fosse destruido e impossibilitado jurídicamente. Essa direita eram os antigos latifundiários que queriam manter as suas terras improdutivas para servirem ao ócio familiar,às caçadas com amigos, o poder das propriedades. Era uma minoria de ricos que, com o controle da informação social e do Estado que negava a sua responsabilidade social, controlava uma "maioria silenciosa" habituada pela ditadura anterior a obedecer as ordens dos patrões.

Mais recentemente foi o caso de um Brasil democratizado que, graças a Lula e quem o apoiou, retirou mais de 40 milhões de brasileiros da condição de miséria, que abriu caminhos para que os mais pobres pudessem estudar e atingirem carreiras de nível universitário, para que as regiões secas fossem irrigadas, para que os excluidos das cidades recebessem cuidados médicos e apoio institucional do Estado, que criou empregos e desenvolveu a indústria de petróleo, o banco de desenvolvimento, uma política externa que integrou o antigo país colonizado nos meios internacionais mais desenvolvidos, e ... provocou a "minoria silenciosa golpista" que com a ajuda do imperialismo sabotou o desenvolvimento nacional com o controle da política financeira e de informação social, e comprou antigos "democratas" que trairam o povo que os elegeu e venderam a pátria como Judas vendeu Cristo. Os pobres ameaçavam o conforto e os privilégios dos ricos que têm cifrões na pupila e nenhuma dignidade humana.

Os métodos de trabalho político dessa "minoria silenciosa e perversa" é sempre o mesmo. Financiam gangues criminosas para desestabilizarem a sociedade criando insegurança, divulgam mentiras e apregoam violências para intimidar os que têm consciência dos seus direitos de cidadão, compram os desonestos que têm postos no Estado para boicotarem o atendimento social, alimentam as dissenções na sociedade, ameaçam com desastres naturais, sociais e religiosos, inventam falsidades para justificar um golpe que cala os funcionários mais bem pagos que parasitam o Estado, assistem com ar compungido os acidentes de avionetas que eliminam vozes contrárias, cortam as conquistas sociais, empobrecem o país, vendem as riquezas nacionais aos sócios estrangeiros, aumentam o desemprego. Esperam que os pobres, e quem os defendem, morram de fome, de doença, de acidente ou de crime.

Lemos nos jornais : "Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool.
O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações."

“O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de Londres."

São notícias de uma Europa rica que financiou, com os Estados Unidos, a Otan para invadir países do Oriente Médio e do Norte da África, destruindo antiquíssimas sociedades organizadas (que têm muita riqueza natural cobiçada), de onde há anos partem milhares de pessoas que fogem às guerras, à fome, à desordem introduzida nas suas vidas antes equilibradas, em busca de um lugar para sobreviverem. Tornaram-se pobres e vão enfrentando pelo caminho as várias formas criada pelos ricos para que morram: enchem navios que são deixados em alto mar sem controle, sem alimentos, e que naufragam. Ou chegam à costa europeia e ficam presos em "campos de refugiados" com um arremedo internacional de apoio. Ou saem tentando chegar às cidades mas encontram muros improvizados com arame farpado protegidos por soldados armados. Constituem uma massa humana miserável de emigrantes repudiados pelos paises mais ricos ( os países mais pobres recebem os refugiados que sabem que ali vão encontrar os problemas que os povos pobres já sofrem).

Nos países pobres ou ricos da Europa, o conceito de Segurança Social é muito discutível pois mal oferece recursos de assistência social à grande maioria dos mais pobres para não falar no valor das pensões de velhice que só dão para uma (também pobre) alimentação, uma habitação (?) em vão de escada, e pouco ou nada para tratamentos e alguma atividade cultural (gratuita em que se gasta com transporte). Os países mais pobres têm a vantagem, que não exige investimentos financeiros, de ser cultivado o esoírito fraternal da solidariedade.

E os Estados Unidos elegeram para Presidente um milionário que pensa o país como se fosse um "boteco do Farwest" e expulsa o emigrante como se fosse criminoso formado na escola de terrorismo (que os ricos criaram e financiaram), e não a sua primeira vítima. País de origem emigrante, com uma bela história inicial de pioneiros, que se transformou em abutre das nações vizinhas avançando as suas fronteiras descaradamente sobre o território mexicano onde hoje constrói um muro para impedir que os pobres usurpados entrem nos Estados Unidos transformado em ameba mundial.

No entanto, Cuba, que foi isolada durante 60 anos pelos Estados Unidos com um bloqueio internacional, não tem um caso de subnutrição, a mortalidade infantil é das mais baixas do mundo, não há analfabetos, tem uma escola de medicina que forma médicos para os países que precisarem, defende o seu povo com muito êxito dos mesmos tufões que matam nos Estados Unidos.

Qual a diferença entre aquela pequena ilha com este "mundo cão" em que vivemos?

Lá são todos igualmente pobres, desenvolvem os projetos necessários para produzir alimentos, a saúde e o ensino são gratuitos e de boa qualidade, os "vende pátrias" não alcançam o poder no Estado, a população em peso chorou a morte de quem dirigiu o Governo por quase meio século. É socialista, fez a sua Revolução.

sábado, 4 de fevereiro de 2017

"Primeira Dama", exemplo de dignidade

"Primeira Dama", exemplo de dignidade

Marisa Letícia, a esposa amada de quem foi o primeiro Presidente operário no Brasil, marcou com exemplar respeito pela dignificação do seu estatuto, um modelo de conduta da Mulher brasileira. Ao contrário da maioria que se vê "coroada" em um posto inexistente na estrutura de poder nacional, sem recorrer à falsa imagem de brilho e valor pessoal que a maioria delas faz por usufruir, Marisa sustentou a doçura de companheira de todos os momentos (por pior que fossem) solidária com o seu homem que assumiu a Presidência da República com o apoio dos pobres e o desdém dos ricos e afins.

A coragem consciente, pois era militante partidária, somou-se à feminina confiança no seu companheiro de vida, com amor e carinho, sem abandonar a vigilância protetora de quem sabe zelar pela segurança de quem se expõe em defesa do povo que contraria uma elite gananciosa de poder e de lucros financeiros. Marisa na sua elevada modéstia, destronou as "dondocas" de turno, que usam a "função" de esposas de um eleito para lançarem a imagem dos seus "predicados" pessoais a uma plateia nacional e internacional, sabe-se lá com que objetivos.

Marisa mostrou como se comporta a brasileira, com a dignidade e o valor para ocupar qualquer lugar na sua sociedade, para corresponder à imagem cultural da sua gente, para representar a maioria das Mulheres do seu país que são esposas e mães.

Para Lula, o melhor Presidente que o Brasil já elegeu, Marisa foi a companheira ideal em casa e no Governo. Também ele não vestiu a falsa personalidade da elite ao se tornar mandatário do poder político institucional. Lá chegou por mérito próprio, pela sua capacidade de luta, pela sua inteligência e força, pela sua coerência com a formação popular de brasileiro. Ele passou por aquela alta função igual a si mesmo, sem cedências, com dignidade, com respeito pelos que mais sofrem no Brasil. Por isso tornou-se um modelo admirado em todo o mundo. Também ele "destronou" os que ocupam indevidamente o alto cargo político nacional que valem pelo que vestem, pelo que pagam, pelo que cedem aos ambiciosos.

O casal - Marisa e Lula - tornou-se inesquecível mundialmente por ter criado um modelo de dignidade e de coerência que corresponde ao povo que os levou ao Palácio Presidencial, pela firmeza na modéstia que só tem quem é capaz de ouvir a opinião alheia, pelo respeito humano que se requer a quem ocupa uma alta posição, pela grandeza de alma de quem não se amesquinha, para quem percebe a realidade nacional mais profunda para traçar um caminho seguro de desenvolvimento das próprias forças produtivas.

São muitas as lágrimas - pela morte prematura de Marisa e pelo sofrimento de Lula - e de vários continentes surgem as expressões de condolências e de amizade nesta hora triste. Em Portugal pediram-me que escrevesse contando da dor que repercute nesta Europa, aparentemente fria, que desperta para os exemplos de coragem e humanismo que devem pautar as escolhas políticas.

Força Lula, estamos contigo neste momento amargo e sempre na tua luta!

Zillah Branco

domingo, 1 de janeiro de 2017

O mundo está ameaçado pelo cinismo que desvirtua o Estado



A velocidade com que se destroem hoje as sociedades, é impressionante. 


Seja no Oriente Médio ou no Norte da Africa - com bombardeios financiados pelo imperialismo; seja no Brasil - com a ocupação do Governo por um setor medieval manipulado por oportunistas que se tornaram traidores da pátria a troco de corrupção; seja na Europa ilustrada - que cerca as nações com arame farpado para que, os que fogem das bombas nos seus países invadidos ou do afogamento no Mar Mediterrâneo, não invadam as suas ruas; seja nos Estados Unidos - onde elegem como Presidente o que ameaça de expulsão os imigrantes indesejáveis... Em todo o lado onde a vida social tinha a aparência de paz, honestidade, humanismo, merecedora de confiança de qualquer pessoa, surgiu uma praga insidiosa de cinismo, mentira, e ameaças, que se levanta como um muro para separar as instituições do Estado do cidadão que precisa de apoio para sobreviver.

O filme de Ken Loach - que mereceu a Palma de Veneza com o título "Eu, Daniel Blake" - mostra na Inglaterra de hoje a "ameaçadora Segurança Social" que usa os recursos da burocracia para jogar como peteca de um lado para outro, um idoso com problemas de coração, para não lhe dar nem a aposentadoria, nem a pensão de sobrevivência, nem o seguro de doença, com exigências de uma papelada formal onde ele deve responder a perguntas que nada têm a ver com a doença atestada por médicos, e o colocam na situação de quem "não quer trabalhar". Aos poucos ele perde o pouco que tinha depois de 40 anos de trabalho como marceneiro, vai vendendo móveis e pequenos bens para poder pagar o aluguel da casa e comer, anda quilômetros para provar que quer, mas não pode, trabalhar. Discute com os funcionários que falam o mesmo idioma mas raciocinam dentro do modelo irracional imposto pela chefia do serviço. Irritam-se mutuamente e a polícia é chamada para levar o cidadão que perturba a ordem. Por fim ele morre com um AVC, que é a solução pretendida pelo sistema capitalista (apregoado pela diretora Lagarde do FMI e outros boçais como têm proliferado no Brasil, tipo Bolsonaro).

Quem ainda não passou (ou ouviu contar por um cidadão mais velho) por uma situação semelhante em uma repartição da chamada Previdência Social, ou das Finanças? Quem não sabe ainda que isto acontece com pessoas empobrecidas que adoecem ou envelhecem? Quem não leu apelos de famílias que têm filhos com deficiências e não têm a quem recorrer? Quem ainda desconhece a realidade da sociedade em que vivem?

É que isto hoje ocorre em todos os continentes deste destroçado planeta, com raras exceções onde o socialismo sobrevive com um Estado Social.

Até a mídia (criadora de ilusões e distribuidora de mentiras) mostra, rapidamente, umas notícias ou fotos das misérias que inundam as periferias dessa encantadora sociedade que parece estar sempre ao sol em permanente estado de felicidade e beleza!

Um dos recursos para deixar de ver a realidade ameaçadora é viver colado à internet. Mas, mesmo aí, quem usa a cabeça para pensar e escrever, tropeça nas "atualizações" que se sucedem também em alta frequência nos programas, e surgem "apagões", ou é necessário repetir as indicações do endereço eletrônico e a senha que você substituiu ontem mas já deixou de valer. Surgem os avisos em vermelho sobre os "erros", como os arames farpados entre as praias do Mediterrâneo e os países europeus para cortar o caminho aos náufragos, como os muros entre Israel e os palestinos ou os Estados Unidos e os mexicanos ou outros povos dominados pelo imperialismo.

Você sabe que não está errado, mas o "sistema" (capitalista, informático ou jurídico) diz o contrário. E quem manda é ele, com a lógica que lhe convém. Paciência, medo, desanimo, desistência, tudo isso leva à perda dos direitos de cidadania.

Passei por esta experiência no Brasil durante 10 anos de contato com a Previdência Social que não quis reconhecer os meus direitos à soma dos períodos em que trabalhei como emigrante em outros países, conveniados, para a contagem do tempo que justificaria a aposentadoria. Depois recorri ao Juizado Federal que levou dois anos para produzir uma sentença favorável que resultou em uma pensão de miséria no valor de 1/3 do salário mínimo. Precisei vender a minha casa e fui para a companhia dos filhos em Portugal. Com a mudança de país perdi a isenção ao Imposto de Renda que retira 25% da miserável pensão.

Além do roubo perpetrado pela chamada Segurança Social e os serviços de Finanças, sofri a decepção com os governantes que apenas responderam um "sinto muito, mas nada podemos fazer diante das leis aplicadas" e com advogados que não quiseram perder tempo com uma causa sem vantagens financeiras e de promoção social. Para não morrer nesta luta inglória, continuo a denunciar a existência desta praga financeira que ocorre até no rico Império Britânico, como mostra o filme de Ken Loach. Não se pode contar com o apoio de pessoas que têm medo de perder as regalias alcançadas em luta por um ideal a que chamam "utopia" .

Só a força de uma Frente Popular que reúna a experiência dos mais velhos e a capacidade dos mais jovens poderá romper esta praga destruidora que se expande pelo mundo!
* Cientista Social, consultora do Cebrapaz. Tem experiência de vida e trabalho no Chile, Portugal e Cabo Verde.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Cuba é socialista e soberana


A pequena ilha de Cuba venceu a miséria e o imperialismo, liderada por Fidel Castro e sua equipe de revolucionários que se multiplicou desde as primeiras ações de luta contra a ditadura de Batista, passando de um grupo a um povo.

Os revolucionários venceram uma ditadura que mantinha a miséria e o domínio de empresários de bordéis, sob a tutela dos Estados Unidos, que faziam da ilha um lugar de turismo, de exploração criminosa da população e da prática de corrupção e fraudes financeiras.

Enfrentaram a grande tarefa de limpar o país de todas as instituições que eram controladas pelo imperialismo e de reconstruir a pátria de heróis - como Maceo e Marti - e tantos outros que morreram na defesa intransigente dos valores éticos da história de um povo trabalhador e da soberania nacional. Mudaram tudo o que devia ser mudado abrindo as portas à Revolução e ao Socialismo.

Como referiu José Reinaldo do PCdoB através do portal Vermelho (01/12/16) citando Fidel:

"Revolução é sentido do momento histórico; é mudar tudo o que deve ser mudado; é igualdade e liberdade plenas; é ser tratado e tratar os demais como seres humanos; é emancipar-se por nós mesmos e com nossos próprios esforços; é desafiar poderosas forças dominantes dentro e fora do âmbito social e nacional; é defender valores nos quais se crê ao preço de qualquer sacrifício; é modéstia, desinteresse, altruísmo, solidariedade e heroísmo; é lutar com audácia, inteligência e realismo; é não mentir jamais nem violar princípios éticos; é convicção profunda de que não existe força no mundo capaz de esmagar a força da vontade e as idéias".

Esta reconstrução da Pátria cubana só foi possivel porque o povo aceitou os sacrifícios da pobreza e trabalhou com coragem e a alegria dos justos na construção das forças produtivas, na produção alimentar, na criação das infra-estruturas para o desenvolvimento nacional, no combate ao analfabetismo e na educação em todos os níveis - cultural, ideológico, científico e artístico - e na proteção social dos cidadãos com habitações, serviços médicos e sanitários, transporte e alimentação básica.

Durante quase 60 anos a ditadura do imperialismo manteve o embargo às relações internacionais com Cuba, e a CIA tentou (sem exito) 638 formas de assassinato de Fidel Castro. Este poder supra nacional foi vencido pelo heróico povo cubano liderado incansavelmente por Fidel e, quando doente, por seu irmão Raul Castro.

O mundo todo percebeu que um povo livre de uma nação soberana, resiste à pobreza e ao assédio assassino de um império que tem pés de barro no sistema de poder das elites que escravizam os que trabalham. O mundo todo percebeu que a ditadura foi a imperialista que promove guerras e corrupções para enfraquecer os povos e dominá- los. O mundo todo percebeu que o que salvou Cuba foi manter-se no sistema socialista dirigida pelo herói revolucionário Fidel Castro. Cuba é Fidel!

A ONU reconhece o exemplar desenvolvimento social de Cuba -  onde os tufões que causam vitimas mortais nos paises vizinhos, inclusive nos ricos Estados Unidos, apenas destroem recursos materiais na ilha onde a solidariedade socialista protege as vidas - que atende a saúde de toda a população, garante a formação escolar gratúita, reduz drásticamente a mortalidade infantil, forma médicos que colaboram com os países que os recebem.

Ao contrário, a pobreza na União Europeia atinge 25 milhões de crianças; cerca de 25,2 milhões de crianças e adolescentes (26,9%), estavam em risco de pobreza ou exclusão social, nos 28 países da União Europeia, percentagem que é superior nos países do Sul afectados pela crise, onde a pobreza e exclusão ameaçam uma em cada três crianças.A estes juntam-se 4,6 milhões de jovens entre os 15 e os 24 anos (20,4%) que se encontravam sem emprego em 2015. De resto, um em cada quatro cidadãos da UE (118 milhões de pessoas ou 23,7%) continuava em risco de pobreza ou exclusão social em 2015.

Esta é a triste realidade do continente mais rico do sistema capitalista.

Zillah Branco

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

A lógica do poder contra a lógica do viver

A crise do sistema capitalista, que é traduzida em termos financeiros com estrondosas falências de bancos e denúncias de corrupção sem limites, tem despertado em todo o planeta a atenção para outras crises que estão no DNA do sistema: 


A crise dos princípios éticos e da capacidade humanitária de respeitar a igualdade dos cidadãos, a crise de pudor dos que exibem a desonestidade como esperteza, a crise do desrespeito pelos direitos humanos e de cidadania, a crise moral dos que manipulam a formação cultural através da mídia.

Conclui-se, diante dos abusos de poder, dos golpes contra a democracia, das invasões e guerras que destroem civilizações, da promoção de grupos terroristas que chacinam inocentes, dos desvios do patrimônio nacional para favorecer negócios escusos e privar o povo dos recursos sociais, que o raciocínio capitalista parte de uma lógica do poder contrária a lógica do viver que rege uma política socialista.

A ambição da elite está centrada na acumulação de capital, os altos salários, a promoção da supremacia pessoal, mesmo que escondendo incompetências, ilegalidades, mentiras e falsidades de todo tipo. O comportamento da Câmara Federal na teatral sessão de aprovação do impeachment contra Dilma; as declarações boçais de deputados que falam em "golpe democrático"e demonstram total ignorância da função que exercem; o comportamento irresponsável de senadores, ministros, magistrados, que se protegem da lei com falsas "delações premiadas" e a imunidade devido ao cargo que ocupam; as visíveis irregularidades de um sistema político que mantém um terceiro poder, o judicial, fora do controle democrático eleitoral e com benefícios financeiros e de estatuto profissional acima do estabelecido para o Estado como perversa corrupção e poder sem submissão ao próprio sistema político; indiciam uma crise de valores incompatível com o nível civilizatório que as sociedades já alcançaram. Será devido à lógica que orienta o capitalismo ou uma crise de QI (quociente de inteligência)?

Um professor universitário chinês, em entrevista televisionada, criticou os EU por dar vistos a qualquer profissional que quer fazer altos estudos científicos nas suas instituições universitárias, porque lá deixa o seu now how enriquecendo o país. Aquele país que se considera democrático mantém uma elite cada vez mais distanciada da grande massa populacional que é formada pela mídia divulgando uma cultura de baixa qualidade para (de)formar "populações burras" facilmente controladas por temas em quadradinhos, shows ridículos com som elevado, movimentos rápidos e luzes intermitentes para provocar as reações cerebrais descontroladas como de "comportamento com coleira". O que dizem os médicos e especialistas em psicologia? Estarão também inertes pelas condições privilegiadas que auferem?

Mas não só no Brasil a crise de QI ou de responsabilidade profissional revela a falência do sistema capitalista. Em Portugal, um renomado economista-filosofo, que navega por altos cargos nos bancos, desconhece aritmética ao dizer que "ha 50 anos o povo português sofria a mesma austeridade que hoje. A diferença é que agora os pobres têm ambições de consumismo". Deixa a culpa para os que são formados pela imbecilizante mídia que promove as vendas de um mercado para enriquecer seus empresários. A sua filosofia também passou ao largo da ética e do humanismo que ensina a respeitar direitos sociais de seres humanos pobres, e da história nacional que revela há 50 anos um Portugal sob uma ditadura fascista. Custa-me dar o nome deste renomado profissional que escorrega nas suas explicações não por ter precária inteligência, mas por ser um repetidor da lógica do capital que lhe garante altos salários.

Mas, é indiscutível que o poder capitalista domina o planeta e os seus líderes foram formados para juntar dinheiro e não para resolver problemas sociais. Preferem matar (ou deixar morrer) os idosos que, como diz a diretora do FMI, constituem um problema insolúvel por não produzirem mais e necessitarem recursos que fazem falta a outros. Também não se pode pensar que a senhora Lagarde está com carências do QI, o mais certo é que estupidificou com o uso continuado da lógica capitalista e perdeu a perspectiva de ser humano normal.

Não é por acaso que uma juventude saudável, ainda na escola secundária, tem desenvolvido manifestações surpreendentes em defesa do ensino no Brasil contra o malfadado PEC 241 produzido pelo retrógrado Temer e sua equipe (especialistas na lógica do capitalismo). Esta juventude nasceu no período de limpeza mental introduzida pelas medidas democráticas trazidas por Lula ao Brasil. Será difícil colocar a "coleira da estupidez" em quem não se deixou escravizar pela mídia e conheceu tantas alternativas socialistas de apoio aos mais pobres que escrevem a história mundial.

Crianças pensam com liberdade e ficam com a inteligencia lúcida. Uma conversa com garotinha de 6 anos que explica aos adultos o filme que viu: "No Egito antigo, faraós "folgados" faziam piramides sem trabalhar, os escravos sofriam para carregar aquelas pedras enormes e morriam de fome e esforço no lugar deles, que iam para caixões cheios de ouro e joias!". Outra, de 7 anos, vai ajudar alegremente o tio a lavar e secar a louça acumulada: ele termina a sua parte e vai deitar-se no sofá enquanto ela continua sozinha a trabalhar murmurando "assim é uma escravidão!". Não têm a lógica do sistema em crise e tanto aprendem a ser solidárias e ver no trabalho coletivo um prazer como sabem defender-se da falta de correspondência no adulto que pediu ajuda e "explorou" a sua boa vontade.

Uma jovem de 16 anos, Ana Júlia Ribeiro, deu uma aula de cidadania ao discursar dia 26/10/16 na Assembleia Legislativa do Paraná para demonstrar a legalidade e a legitimidade do movimento de ocupação (de mais de 1200 das escolas) que se alastrou pelo Brasil. Disse da formação que este processo de participação política da juventude contra o PEC 241, que os obriga a discutir as informaçōes da mídia e os insultos divulgados, melhor que estarem enfileirados em uma aula padrão. Responsabilizou os representantes do Estado pela morte de um jovem combatente pela causa da educação e os ferimentos de muitos nos confrontos com a Polícia.

Vivemos um momento de grandes mudanças neste confronto entre o mundo capitalista em crise e uma parte da sociedade, em todo o planeta, que despertou para caminhos alternativos a serem criados a partir das experiências que revolucionaram os conceitos fixos e autoritários com que os "donos do poder", em cada momento histórico, tentaram embrutecer os cidadãos para que cumprissem ordens sem discutir, aceitando como fatalidade a existência de uma elite soberana.

A nível internacional as análises que referem com indignação o golpe temeroso e covarde no Brasil são mais que muitas. Refiro algumas:

. Max Neef, economista norte-americano, diz que o neo-liberalismo mata mais que as guerras, com produções de objetos inuteis e formando consumistas desvairados.

. Em 21/10/16, no Bundestag, Parlamento da Alemanha, o partido Esquerda pediu o repúdio ao governo de Temer e a CDU, partido de Angela Merkel, ressaltou a crise economica que agora prejudica o Brasil ( parceiro da Alemanha). No final da discussão, o Parlamento concluiu que o Supremo Tribunal Federal (brasileiro) é que deveria resolver o problema do seu país.

. 19/10/16 Geoffrey Robertson australiano formado advogado renomado Oxford, fez uma brilhante carreira na Inglaterra sobre Direitos Humanos e apresentou defesa de Lula à ONU acusando o sistema jurídico brasileiro, formado por Portugal em 1820 ainda sob inspiração no sistema inquisitorial católico do sec XVII. (é visível para qualquer democrata que o "terceiro poder" existe como se fosse uma antiga monarquia)

. O discurso do Presidente da Russia, em Sochi dia 24/10/16 demonstra que os Estados Unidos tem liderado um processo imperialista que se recusa a ouvir os povos que estão lutando pela paz e sendo destroçados por guerras provocadas pela insanidade de grupos terroristas mercenários que recebem armas e dinheiro dos que ambicionam o petróleo e as riquezas dos países àrabes.

São muitas e variadas as vozes que hoje começam a levantar-se mundialmente propondo mudanças na maneira de pensar e agir, ou seja na aplicação de uma lógica adequada à defesa da humanidade e da natureza do planeta e não das instituições financeiras como quer a elite imperialista que ocupa o poder mundial.

Se o sistema faliu e a sua estrutura mostra-se incompetente ou inerte para salvar os países, temos o dever de buscar uma alternativa a partir de outra lógica. E esta alternativa está na mente e na ação das novas gerações.


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Do desabafo à ação

Toda a gente tem direito de desabafar, eliminar as toxinas, esvaziar a pressão sobre o fígado e o cérebro, cuspir a indignação. E assim as pessoas vão conhecendo os que pensam o mesmo sobre o golpe criminoso que destroçou a estrutura institucional do Estado Brasileiro. 


Também é necessário ir observando como se comportam os que permanecem nos seus cargos de confiança política, agora com o novo patronato, e os que no Parlamento votam a favor das medidas demolidoras das conquistas sociais já alcançadas.

Ficamos surpreendidos com a participação de antigos partidos que um dia foram democráticos e agora votam com os golpistas. Que os militantes que ainda conservam a memória da luta contra a ditadura se retirem dessas legendas para não ficarem do lado errado. É hora de definição para prosseguirmos a reconstrução das bases institucionais do Estado e seu Governo.

Cada partido fará a reflexão sobre os seus erros, suas ausências, em busca do caminho coerente com os princípios que defende em teoria. Olhando em torno perceberá a realidade dos outros partidos, das organizações de massa, dos variados grupos de pessoas unidos em defesa das suas causas. O importante é, diante do inimigo comum, construir uma relação para seguirmos unidos. A fase das "alianças" oportunistas ficou para trás com quem não tem objetivo de luta pela reconstrução do Brasil democrático. E qual é o inimigo comum?

Não vamos começar a dar os execrados nomes dos golpistas porque a lista é longa e antiga. O importante é identificar o alvo do golpe: a estrutura do governo que abriu as portas do Estado para toda a população brasileira participar dos direitos de cidadania e melhorar o seu nível de formação e de vida. Esta estrutura estava sendo contruida por militantes da democracia, das mais variadas origens políticas, religiosas ou filosóficas, com o apoio do Estado e de governantes identificados com a mesma meta. Desde os primeiros momentos do Governo Lula começaram a se definir dificuldades para que os recursos dos mais ricos não fossem compensar a miséria dos milhões de famílias que minguavam com a fome e a miséria.

Viu-se que o sistema financeiro - amarrado aos centros de poder bancários internacionais - forjava obstáculos para não deixar que as instituições sociais do Estado atendessem gratuitamente os cidadãos mais pobres - nos setores de saúde, educação, assistência social, transportes, habitação popular, segurança pública - e começaram a surgir empresas privadas que concorriam com as do Estado e exigiam apoios financeiros. Os bancos ofereciam créditos, com remuneração para obterem maiores lucros, mas não participavam ao lado do Estado na criação de benefícios sociais. Ao ser criado o sistema de Bolsa Família, admirado em todo o mundo e elogiado pela ONU como solução para a fome no planeta, houve necessidade de acompanhar em todo o território nacional para evitar que fossem desviadas para os clientes dos chefes ricos que podiam interferir na distribuição. O trabalho dos diplomatas brasileiros foi fundamental para impedir a prepotência de governantes estrangeiros que tentavam sabotar o Brasil para que não tivesse voz entre as grandes nações que traçavam as condições políticas internacionais. Os militantes da democracia defendiam o Brasil, dentro e fora, sempre ameaçado pelos reacionários de sempre.

Com todas as dificuldades e erros ocasionais, os governos de Lula e Dilma levaram o Brasil a um patamar de importância pelo caminho democrático aberto e pela riqueza que desvendavam no seu território extraída das condições naturais mas também da produção intelectual, artística e criativa em todas as áreas do conhecimento humano, de um povo que construía o futuro com alegria.

A questão financeira sempre foi conhecida em todo o mundo por constituir uma forma de controle externo exercido pelas forças imperialistas. Assistimos através da história passada e presente nos continentes mantidos mais empobrecidos pela força dos domínios colonialistas, a permanente presença das empresas multinacionais dotadas de recursos financeiros e tecnológicos sugando a força de trabalho nativa de modo a impedir o desenvolvimento autônomo das nações dependentes. Também temos assistido à guerra fria contra os países socialistas que apoiaram a libertação dos povos durante 80 anos até que o imperialismo destruiu a União Soviética e os demais países socialistas da Europa. E, mais recentemente, acompanhamos com horror a escalada de invasões, guerras, chacinas de povos que resistem, movidas pelo imperialismo e sob o silêncio da ONU, para se apropriar de territórios ricos em minério, especialmente o petróleo, de antigas sociedades do Oriente Médio e Norte da Africa. Estas invasões criminosas destroem os Estados existentes, desorganizando as sociedades e ainda provocam conflitos internos alimentados por grupos terroristas financiados pela CIA e animados pela mídia ao serviço dos invasores.

Na América Latina, que nos últimos anos tem alcançado um nível de desenvolvimento social e econômico com governos progressistas como tivemos no Brasil, a ação imperialista tem sido menos visível por ainda não usarem os aparatos terroristas e de guerra aplicados nos demais continentes. A vizinhança dos Estados Unidos permitiu ao longo de mais de um século que os Estados marcados pelo poder oligárquico da colônia fossem permeáveis à infiltração da CIA que sempre manteve sob controle, por meio da corrupção e de outras formas de influências (criando assessorias privadas, terceirização de setores públicos etc) em convívio com as estruturas nacionais. Assim foi mantida uma política neo-liberal nos setores dirigentes da economia e finanças, apesar das iniciativas de cariz social no atendimento direto à população.

O que não se havia observado ainda era o domínio orgânico sobre o funcionamento do setor judicial, tal como o financeiro, que se revelou, com o golpe, inteiramente dominado e enredado nas malhas da corrupção que a mídia expõe por partes de modo a manipular figuras políticas como marionetes no desempenho do circo golpista. Todo o processo Lava Jato desempenhou o papel de eixo no controle meticuloso de políticos com altos cargos e de lideranças em partidos "aliados" e de juristas que passaram a defender posições partidárias pela via da "delação premiada". Lamentavelmente toda a estrutura judicial ficou paralisada e o povo se deu conta de que o Estado foi invadido por inimigos e não havia nem um setor de segurança para socorro.

Justificam-se os protestos e acusações como desabafo. Mas as conquistas sociais fazem hoje parte da história do povo que saiu do obscurantismo, do medo, da incapacidade de produzir e criar idéias. Ao alcançarmos uma unidade de esquerda, sem conflitos de aspectos secundários, definido o inimigo comum e a meta de reconstrução de uma estrutura institucional democrática brasileira, temos uma grande tarefa pela frente para ser trabalhada com energia e confiança! É hora de agir, sem vaidades e visão individualista! Em causa está o nosso Brasil!

domingo, 9 de outubro de 2016

Os que não eram democratas, mas sim carrapatos

Aos poucos os covardes vão declarando inocência quando se exibiram como defensores da democracia nos governos PT: a dondoca Marta, o decorativo Temer e outros - estavam ali como jarrões, mas não tinham compromissos com o programa do Governo. Entendiam que "aliados" eram como "amiguinhos" na hora da festa.


Se não trabalhavam para executar o programa do Governo, devolvam os salários e desinfetem o lugar que ocuparam. Vergonhoso o papel de ratazanas que assumem hoje ao saltarem do barco que afundam, os jarrões que (além dos salários e benesses dos cargos) usaram o poder que lhes foi conferido (ingenuamente pelo povo que hoje se vê traído) para distribuir criminosamente empregos e verbas com o dinheiro público. Isto os "juízes" de hoje não veem? Ou também eles confessam ter vivido como "decorativos" no terceiro poder do Estado durante 13 anos de bons salários e promoção midiática?

Aos poucos vai-se percebendo que as alianças políticas dos que se diziam "de centro" obedeciam apenas o oportunismo dos que reconheciam a força da esquerda com um programa democrático de defesa das camadas mais pobres. Os oportunistas sempre foram ladrões e mentirosos, como a história sempre mostrou através dos tempos. E o ato final do falso papel escolhido é a traição, o golpe. Agora confessado nos Estados Unidos onde "Fora" Temer presta contas aos patrões.

As teorias sobre os processos de luta social já explicavam, mas as mudanças só ocorrem quando o povo toma consciência de que foi enganado. E isto ocorre quando o poder entra em crise revelando os seus podres internos: as alianças com inimigos, os decorativos que comem calados, as dondocas usurpadoras, os covardes que poluem as funções da justiça, os rombos no cofre com o escoamento da riqueza para os bolsos milionários.

É um processo histórico que desvenda os erros de quem escolheu mal o seu candidato nas eleições. A culpa não é do eleitor, é de quem manipula a opinião pública, os mentirosos de sempre, os lobos vestidos de cordeiros, a mídia financiada pelo império. Os ingênuos são conduzidos às cegas e fazem o que lhes mandam sem pensar com a própria cabeça.

Mas o Brasil teve 13 anos de respiro, com o aceno da liberdade cidadã. Hoje vemos o fruto: 54 milhões de brasileiros votaram contra os que preparavam o golpe e uma juventude corajosa vai às ruas denunciar a traição e exigir novas eleições diretas, já. Em eleição condicionada por um governo golpista mais de 3 milhões de eleitores desistiram de dar o seu voto. Desacreditaram o sistema político que os abandonou na hora em que o Governo foi invadido por uma gangue criminosa. É hora de parar para pensar com a própria cabeça e resolver os problemas de sobrevivência. A população vai se organizar em função das necessidades básicas, descobrir os seus líderes, recomeçar a manifestar os seus anseios para definir um plano de governo adequado ao Brasil independente.

Os 13 anos de experiência democrática foi o grande passo histórico para desmascarar as oligarquias que sempre estiveram ao serviço de colonialistas e imperialistas. A história é lenta e o subdesenvolvimento ainda domina o país, apesar de umas "bolhas" de sociedade moderna e desenvolvida. Mas o passado foi abalado. Agora enfrentaremos uma situação que se clarifica no mundo inteiro com a crise do capitalismo, os seus estertores terroristas, os golpes dos sabujos.

Vemos as medidas adotadas pelo sistema capitalista para enfrentar a crise financeira em todos os continentes: perdão aos crimes dos ricos, desvio de recursos dos Estados para os bancos privados, criação de Estados Mínimos, austeridade para os trabalhadores, esmolas para os desempregados e para os refugiados, ajuda humanitária para os famintos de países onde as riquezas são continuamente roubadas pelas empresas multinacionais com a ajuda da CIA na promoção de conflitos étnicos ou religiosos e no apoio á juventudes desesperadas para se tornarem terroristas. É visível a existência de um governo supranacional que centraliza o poder militar, a formação cultural dos povos, os recursos financeiros, as transações comerciais. Mas tem pés de barro, porque a humanidade precisa ser livre para ser feliz e refaz o seu caminho com as pessoas em que confia, honestas e capazes de lutar pelos interesses do país, do desenvolvimento nacional, da melhoria de vida dos trabalhadores, ou seja, com um programa de ação verdadeiro.

Por isso queremos novas eleições diretas para reconstruir um governo sem ratazanas à mistura; por isso vamos escolher bem os representantes do povo com conhecimento da realidade e coragem para construir soluções.