quarta-feira, 14 de junho de 2017

P'ra Frente, pessoal!





Enquanto os chimpanzés no Uganda aprendem, com outros exemplares da sua cultura, a molhar
uma esponja de algas para beber agua de um poço em lugar de recolher com uma folha o líquido
que vai derramando, os "inteligentes" humanos que comandam o sistema capitalista seguem as
idéias de idiotas como Temer,Trump et catærva, que pretendem fazer girar a roda da história
cultural da humanidade para trás. Qualquer dia a mídia subalterna divulga as vantagens em beber
água nas folhas e os chimpanzés darão gargalhadas geniais.

Quando 35 milhões de trabalhadores no Brasil fazem greve acompanhados nas ruas por
desempregados, trabalhadores rurais, professores e estudantes, representantes de todos os
credos religiosos, negros, indios, imigrantes europeus, asiáticos, africanos, militantes de esquerda
e democratas honrados, tem-se a prova de que o programa de Lula para alimentar os cinquenta
milhões de brasileiros famélicos e levá-los a descobrir os direitos de cidadania com a ajuda dos
professores das escolas primárias, dos estudantes e professores das universidades, das equipes
médicas e dos servidores públicos que se dispuseram a integrar aqueles conterrâneos (que nem a
certidão de nascimento tinham) nas estatísticas nacionais para alcançarem os direitos sociais
mínimos, este gesto histórico e coletivo abriu caminho para que o Brasil se tornasse uma nação
soberana. Os brasileiros descobriram que a dignidade lhes pertence.

Agora, é caminhar para a frente varrendo a poeira deixada por séculos de atraso oligárquico e de
reformas fundiárias e bancárias que só interessam a uma elite apátrida. Chega de discussões
estéreis, de mesuras vexatórias a um patronato estrangeiro, de submissão a comandos que
desconhecem as leis nacionais e os princípios éticos em que se baseiam, dessa dissolução dos
costumes em que se atolam os mandatários, esta pouca vergonha de mentiras e corrupções que
mancha a história pátria e destrói o Estado brasileiro.

Este troca-troca de discursos e de consciências já demonstraram que nunca vão aprender a tomar
água pela esponja porque estão sempre olhando os parceiros vestidos de luxo que a televisão
apresenta como os donos do mundo tomando whisky em copos de cristal. Não nos servem, não
sabem pensar por si nem como pensam e fazem os brasileiros, não sabem trabalhar pelo coletvo,
não sabem sambar, nunca amaram, não pertencem a este povo valoroso que ha 500 anos contrói
uma nação apesar dos invasores que se multiplicam.

A luta dos brasileiros não está isolada. Em todo o mundo, apesar do boicote midiático e das elites,
os povos de todo o mundo em manifestações do Primeiro de Maio, saudaram a grandiosidade de
um povo, o brasileiro, que se une como classe trabalhadora diante de um governo espúrio que foi
assaltado por crápulas, para ditar o seu Plano de Desenvolvimento Social e Econômico que não
aceita as exigências da elite mesquinha que só pensa em crescimento e lucro dos poderosos.

A Europa está diante de uma crise que se arrasta sangrando os trabalhadores e os setores mais
desprotegidos das sociedades. A perversidade do sistema imposto pela Troika imperial abriu
caminho para que a Inglaterra saltasse para fora do barco enquanto os grupos fascistas dominam
os eleitorados em desespero. A Russia encontra apoio na China para não se subordinar à União
Europeia casada com os Estados Unidos. O cheiro à polvora, que traz a memória da Segunda
Guerra, polui a humanidade. São os trabalhadores organizados nos seus Sindicatos que se unem
nas ruas de todas as capitais mundiais como um exército internacional que abre caminho com
idênticas palavras de ordem atraindo uma juventude que não vislumbra um futuro no presente.

A "crise econômica" badalada pela elite financeira não cortou os orçamentos da indústria de
armamentos, dos salários dos banqueiros, dos criadores de modas e de uma cultura predadora e
violenta que forma robôs imbecilizados. Os pobres ficaram mais pobres, os doentes tornaram-se
cobaias das indústrias farmacêutica e química que poluem e aniquilam a natureza. Os jovens
perderam a esperança de construirem a própria vida. Os paises mais pobres exportam produtos primários e mão-de-obra para desenvolverem as nações mais ricas. Aprendem a receber com
desvelo os turistas que querem respirar ar puro e relembrar a humanidade que vai sendo extinta
nas megalópolis. Dinheiro não falta para manter a injustiça social que sustenta o capitalismo.

P'ra frente Brasil! Viva a América Latina livre do imperialismo!

Com a consciência de classe e as bençãos religiosas dos que acompanham a luta dos povos!
F

Diretas, Já! Chega de remendos!


Diretas Já! Chega de remendos!


O Estado Brasileiro foi minado pelo neo-liberalismo desde que Meirelles foi apresentado
ao Lula como "grande economista que, apesar de pertenter às hostes do tucanato,
aceitava o programa de desenvolvimento nacional proposto pelo governo PT e iria
assumir a Presidência do Banco Central do Brasil". Logo, o "colaborador que aderiu à
política de esquerda traçada para acabar com a miséria e defender a soberania nacional"
exigiu que o Banco do Brasil se tornasse independente.

Independente do Brasil, do governo popular de Lula, para ser manobrado pelos seus
patrões imperiais da holding norte americana J&F (dona da JBS). Começaram então as
manobras de corrupção que se alastraram como cancer através do Estado e do poder
financeiro produzindo traidores de vários naipes que contaminaram o tecido executivo
nacional até chegar aos dias de hoje, com o usurpador Temer na Presidência da
República (e Meirelles no Ministério da Fazenda) que envergonham os brasileiros de boa
fé e de consciência cidadã.

Esta podridão avassaladora foi percebida pelos trabalhadores e suas famílias em todo o
país, cidades e campos, velhos e jovens, provocando o surgimento de uma Frente
Popular de esquerda, unida e disposta a limpar todas as instituições nacionais das
metásteses provocadas pela doença destruidora.

Diz Luiz Bernardo Pericás: "Será possível construirmos uma frente democrática e popular
de esquerda, com movimentos sociais, partidos e organizações com pautas progressistas,
uma frente que vá além do “Fora Temer” ou “Diretas Já”, por exemplo. O fato é que não
se pode viver de calendário eleitoral. Qualquer um que for eleito pelas normas atuais, seja
quem for, vai fazer coalizões, negociações, acordos. Gostando ou não do Hugo Chávez,
temos de concordar que ele soube aproveitar o momento, utilizando-se de todos os
recursos democráticos reconhecidos internacionalmente, para mudar a constituição,
construir um judiciário e um Supremo, reconstituir e transformar profundamente as forças
armadas. Aqui não se fez nada disso. Sem tirar os méritos de muitas políticas sociais do
PT, os governos petistas beneficiaram a população mais pobre, mas também, ao mesmo
tempo, os bancos, o agronegócio, o sistema financeiro: tentaram agradar a todos. Ou,
pelo menos, as duas pontas: os mais pobres e os mais ricos. Conciliação de classes não
funciona. Está aí algo a aprender com Lênin e a Revolução Russa: não se pode confiar
nos seus inimigos. " (Almanaque Urupês, 28/05/17, reproduzido no Portal Vermelho
28/05/17 por Célia Demarchi).

Marx definiu sem meias palavras, no Manifesto Comunista, que esse sistema dominante
torna o Estado "um comitê para gerir os negócios da burguesia". É o que estamos
assistindo com os roubos e formas de corrupção bilionária e com a destruição das
conquistas populares iniciadas pela campanha Fome Zero, com a integração da
população nas condições de cidadania, com o desenvolvimento da saúde e da educação,
com a aplicação das Leis Trabalhistas, com a confiança nas instituições.
Os bispos da CNBB apontam a falta de ética nos governantes e apoiam as

manifestações, os homens e mulheres ainda conservadores que recordam o retrocesso
civilizatório causado por 21 anos de ditadura exigem democracia, o povo constrói a
unidade entre todas as associações que o representam superando divergências tornadas
secundárias diante da destruição da soberania nacional e do Estado social. As manifestações de protesto nas ruas e a grande greve de Maio reuniram perto de 40
milhões de brasileiros coordenados por lideranças políticas que nascem da luta
empenhados em evitar confitos e desmandos que os provocadores provocam.

A situação agrava-se com a prática da violência policial (somada à violência do
desemprego, dos programas de corte no sistema previdenciário e no desbarato do
patrimônio nacional com a venda da Petrobrás e das terras agrícolas) que a direita impõe
tornando inviável qualquer diálogo.

 O povo unificado define um Plano de Reconstrução
econômico, Social e Político onde não existirão privilégios de elite nem poderes paralelos.

Está preparado para escolher quem os represente. Diretas já!

terça-feira, 13 de junho de 2017

A disseminação do ódio



Hoje está fartamente comprovado, através da comunicação social, que o incentivo ao terrorismo tem sido feito pelo imperialismo liderado pelos Estados Unidos e com o apoio de Israel e União Europeia além de nações subordinadas como Arábia Saudita, Qatar e outras que se entusiasmaram com as invasões realizadas pela NATO contra Iraque, Egito, Libia e agora a Síria que tem resistido heróicamente. A mídia serviu de instrumento para culpar "grupos étnicos ou religiosos" aos quais foram entregues armamentos e apoio financeiro pelos paises ricos, mas hoje vê-se obrigada a revelar a estratégia assassina dos poderosos que ocuparam (e ocupam) os papéis de Presidentes daqueles paises.

Trump, na exibição da sua truculência, tem ajudado a revelar todo este crime organizado contra a humanidade na medida em que procura assumir a liderança absoluta do império capitalista. É desbocado, agressivo, temperamental, bruto e autoritário, ao falar com os seus parceiros despertando animosidades pessoais. Juncquer, em nome da União Europeia tentou minimizar a crispação produzida com as ordens dadas por Trump aos governantes das nações associadas, referindo Trump com um mentecápto a quem falaram "devagar e com frases curtas para que pudesse entender", sobre a necessidade de cumprir o Acordo de Paris sobre o clima planetário em perigo. Nada falou sobre a responsabilidade imperial sobre a expansão do terrorismo que hoje invade o território europeu que mantém a NATO, apesar de Trump ter reclamado que a UE não tem pago a manutenção desta ponta de lança do imperialismo. O Clube de Bildemberg convidou seus membros para estudar secretamente uma solução globalizante.

Até a mídia subalterna deixou visível que, para não tocarem no tema principal - a promoção do terrorismo que destruiu várias nações no Oriente Médio e Norte da Africa provocando milhões de mortes e o problema insolúvel da migração desesperada de milhões de foragidos pelo mundo afora - surgiu uma desavença entre a liderança norte-americana e a UE, que foi situada na questão do Acordo de Paris sobre os efeitos da poluição sobre o clima planetário. Este desentendimento permite aos poderosos da UE fazerem campanhas de aparência democrárica que favorecem os sentimentos populares. E, além dessa percepção para os que não se deixam comover com as "boas maneiras e beijinhos a torto e a direito distribuidos às populações europeias", as grandes notícias midiáticas (que superam até o negócio futebolístico) passaram a ser os actos terroristas que se sucedem na França, Bélgica, Inglaterra e Alemanha.

Só não vê a relação entre os financiadores de terrorismo e a vingança dos seus "alunos" sobre as populações europeias (principalmente com a criação do auto proclamado Estado Islâmico, que foi o gato com rabo de fora, depois do Al Qaeda dos amigos de Busch), que a fábrica de terror é o imperialismo não só com os incentivos bélicos e financeiros, mas com a criação de uma psicologia social baseada no ódio e na volúpia patológica dos assassinatos e suicídios. 

Basta percorrer os vários canais com filmes norte-americanos em maioria, a internet, os livros, revistas e jornais, as propagandas em roupas e brinquedos para crianças e jovens, para se ter uma imagem tenebrosa da cultura midiática e publicitária que ha anos domina as sociedades alimentando o ódio, a esperteza dos agressores, o medo dos que permanecem pacíficos, o oportunismo dos que se aliam aos fortes. Será necessário "falar devagar e com frases curtas" (como ensina Juncquer ao tratar com um governante estúpido) com todos os governantes da Europa e dos Estados Unidos? Serão todos mentecáptos ou coniventes com o grave plano assassino imposto à humanidade?

Putim criou uma legislação para punir os que "incentivam o suicídio". É um bom começo mas não resolve a raiz do problema da formação mental negativa que paira sobre a Terra.

O movimento de massas no Brasil tem explicado que na luta social "não existe discurso de ódio, mas sim o discurso da luta de classes". É também o que ocorre em outros países em que os protestos dos trabalhadores, assim como de grupos discriminados - de gênero, étnicos, etc.- se multiplicam e integram-se nas manifestações sindicais que unem os trabalhadores de todas as profissões, incluindo estudantes, professores, médicos, artistas, policiais, que vêm os seus direitos trabalhistas negados e as suas carreiras cortadas. 

Combatem a injustiça social que os governantes não têm capacidade de resolver por se submeterem às contingências criadas pela política financeira e pelos planos neo-capitalistas de domínio multinacional. Protestam contra a destruição dos serviços públicos de carácter social, como a saúde, a previdência, a saúde, a cultura: tornando a educação uma mercadoria, que  visa o vestibular ou um tipo de trabalho servil, uma educação sem perspectivas sociais e que não tem como objetivo oferecer aos jovens uma compreensão mais lúcida e complexa da realidade; criando uma medicina para vender produtos da indústria farmaceutica sem questionar o consumo de alimentos nocivos e as pressões psicológicas que oprimem os cidadãos produzindo doenças; reduzindo as pensões de velhice e aumentando o tempo de trabalho que impedem os idosos de usufruirem de uma velhice desafogada com as merecidas alegrias do descanso e convívio social; criando eventos culturais com objectivos comerciais, de baixa qualidade cultural e dominado pelos sons e luzes que esmagam a sensibilidade humana.

As metas dos governos capitalistas são de teor bancário, nada tem a ver com o desenvolvimento do ser humano. Tudo conflui para o domínio e manipulação dos cidadãos estupidificando-os sob a liderança de uma elite que não tem pejo em aparecer como imbecil, como ladrão, como prepotente, ditadora e criminosa. A margem deixada para os que sobrevivem sem enlouquecer é o medo ou o ódio.

Gratificante é o levantamento dos protestos populares cada vez mais organizados, sobretudo na América Latina onde os povos resistem ao terrorismo-golpista imperial na longa luta de Cuba, da  Venezuela e do Brasil, desde 2002 com Lula, e agora com a exigência de "Diretas Já!" 

Zillah Branco



segunda-feira, 27 de março de 2017

O mau uso da palavra PAZ



O sistema capitalista, para não reconhecer a crise que o despedaça em frações nacionais vitimadas pela promoção irresponsável do individualismo, da competição à procura de lucro e do desprezo pela tendência humana à solidariedade fraterna, comemora o Tratado de Roma que há 60 anos combateu a guerra entre Alemanha e França.

Assim, dizem orgulhar-se da paz criada entre duas nações que se tornaram aliadas através do poder financeiro e militar. Assim ocultam  que, para fortalecer uma Europa rica, destruiram a URSS pela guerra fria, e através da NATO e seus bombardeios, a Líbia, o Egito, a Siria, o Iraque, a Jugoslávia, a Ucrânia, e vários povos do norte da África, para além de realizarem os programas terroristas dos Estados Unidos que semeiam discórdias internas em paises alheios, em todo o Oriente médio e norte europeu, em todo o mundo. A verdadeira Paz, que só existirá com a independência dos povos a caminho do próprio desenvolvimento, desapareceu até mesmo dos sonhos dos modernos governantes.

Os discursos são desonestos ao fazerem uso de termos esvaziados dos seus verdadeiros conteúdos éticos: democracia, solidariedade, estado social, respeito humano, direitos sociais, paz, soberania, independência, justiça social. Quem comemorou a queda da URSS provocada pela guerra fria que abriu caminho para as ações internacionais mais inexcrupulosas - corrupção, crimes acobertados oficialmente, banditismo generalizado, informações falsas, violações de compromissos oficiais, promoção de anti-cultura nos órgãos de comunicação social, etc - não é capaz de aceitar o direito da humanidade de optar por outro sistema sócio econômico. Impõe os seus interesses mesquinhos de elite privilegiada fazendo uso da mesma falta de excrupulos para iludir os seus seguidores. Instituiram a negação dos princípios éticos liminarmente.

Não é por acaso que um alto funcionário da União Europeia refere os países mais pobres da Europa como irresponsáveis e dissolutos, que usam os apoios financeiros "com mulheres e copos", como diria um inquisidor medieval ou calvinista fanático. Ele está preocupado em descobrir o caminho das suas moedas dentro dos limites da sua falsa moral, não o benefício social alcançado por um povo que constrói a sua independência. A sua imaginação viciosa não alcança para além do que vê na sua roda de amigos de elite. Que sabe êle da produção nacional? Da educação e da saúde social? Da vida dos trabalhadores em miséria?

Os trabalhadores que aguentam os programas de austeridade é que têm fundamentos éticos para criticar os devassos das instituições financeiras que usam pessoalmente os recursos de todo um povo e jogam e roubam o que deverá ser pago por quem trabalha duramente e vive em péssimas condições. Mas o calvinista inquisidor Presidente do Eurogrupo não tem discernimento para tanto.
Os seus valores são apenas os sonantes. Ética está fora do mercado.

Portugal, país pobre e honrado

Em Portugal, o golpe militar que derrubou a ditadura de Salazar/Marcelo Caetano em 1974 contou com duas intenções opostas: a de realizar a justiça social dando condições ao povo para criar as bases do desenvolvimento social que tornariam Portugal independente (tese da esquerda civil e militar) e a que pretendia substituir uma fórmula política esclerosada de ditadura por outra versão moderna idealizada pela Europa e Estados Unidos (tese da direita, do PSD e do PS e Internacional Socialista).

O PCP trabalhara clandestinamente, durante quarenta anos, junto aos trabalhadores rurais e urbanos de todo o país pela consciência do seu papel condutor na transformação nacional e os militares de esquerda apoiaram o Movimeno das Forças Armadas e o seu líder Coronel Vasco Gonçalves que foi Primeiro Ministro durante um ano e meio em que levou à prática as principais medidas soberanas: fim da guerra colonial e libertação das colonias; nacionalização da banca e instituições financeiras; criação do salário mínimo nacional e da legislação do trabalho; fim do latifúndio e Reforma Agrária através de Unidades Coletivas de Produção e Cooperativas geridas pelos trabalhadores sob supervisão do Estado que assumia as propriedades e garantia os contratos de trabalho; nacionalização das empresas de interesse do Estado; criação de sistemas nacionais de saúde, educação e segurança social.

Com a ameaça de guerra civil pela direita, o coronel Vasco Gonçalves foi substituido por Mário Soares que legislou para destruir todo o programa de esquerda. Restou a Constituição que fora assinada por todos os partidos, de esquerda e de direita (exceto o CDS) como unico traço jurídico do que fora a utopia popular e da esquerda comunista e democrática formada na luta contra 50 anos de ditadura.

Até 2016 os governos eleitos alteraram PS e PSD, ambos comprometidos com as políticas determinadas pela União Europeia que foi injectando financiamentos para que Portugal tivesse estradas suficientes e de qualidade para a circulação de mercadorias recebidas nos seus portos, e grandes superfíceis comerciais estrangeiras contruiram os seus armazens modernos que venceram facilmente o antigo comércio logista do país, agora só presente em pequenos centros urbanos. A produção de vinho foi reorganizada, também para serem criadas grandes empresas que absorvem as boas castas de pequenas produções. Muitas produções de uvas e de laranjas foram destruidas por serem inadequadas ao padrão comercial da CEE apesar de serem deliciosas.

Portugal assumia a posição de marginal à economia europeia e aceitava a condição de dependência que os ricos paises da Europa impuseram através dos investimentos que geraram uma dívida incomportável para o seu PIB (gerida por bancos nacionais e estrangeiros que desviaram grandes quantias para paraisos fiscais e corrupção de funcionários do Estado) e o controle da Troika que limitou ao mínimo as despesas com o desenvolvimento social. O ultimo Primeiro Ministro do PSD, Passos Coelho, recomendou à juventude formada em Portugal que emigrasse. Foi o que fizeram, levando o benefício da formação portuguesa para outros paises que os contrataram. Mas este foi também o caminho de milhares de desempregados e de tecnicos conceituados a quem mal pagavam no seu país. Foi desertificado o patrimônio construtor do desenvolvimento nacional.

Falsa riqueza desperta consciências

Diante da austeridade insuportável, da fome que levou o pais a ter que criar a distribuição de alimentos sob a forma de caridade que humilha a população trabalhadora, a subalimentação das crianças e idosos, os casos de suicídio e doenças agravados pela miséria, a população seguiu a liderança do PCP, dos Verdes, da Intersindical, do Bloco de Esquerda, de várias Associações democráticas e de esquerda, e encheu as ruas de protestos que abalaram algumas consciências até mesmo conservadoras. A eleição em 2016 alterou a composição das forças políticas do Parlamento elegendo uma maioria de esquerda. Apesar de o PSD ter obtido o maior número de votos porque se coligara com o CDS de direita, a maioria parlamentar indigitou o candidato do PS para Primeiro Ministro. Venceu a maioria de esquerda que fez a Revolução dos Cravos, dentro de uma Europa amordaçada.

Toda esta mudança foi proposta pelo Secretário Geral do PCP em diálogo com as demais forças políticas de esquerda para surpresa até mesmo do PS (ou da direita socialista eternamente anticomunista). Mas prevaleceu e encontrou uma nova camada socialista que recomendava ao PS que "fizesse a sua autocrítica" () e assumisse uma postura coerente com os princípios democráticos que diferiam dos da UE. A direita, demorou a aceitar a realidade, que o Poder Judiciário precisou comprovar como válida a opção do Parlamento onde foi constituida uma aliança da esquerda com o PS, deixando a direita como oposição. Os radicais da direita deram o nome de "geringonça" que combinava o que eles pensavam ser esquerda e direita.

A realidade é outra, mais profunda, que supõe a necessidade do PS de não se deixar engolir pela UE que está dominada pelos EU e vendida ao poder financeiro mundial em crise. Supõe, por outro lado a dialética que abre oportunidades a novas maneiras de ver o processo político que, tal como está, pode escorregar para o caos planetário. Muita gente percebe que a ganância impede o equilíbrio entre a classe trabalhadora e os empregadores que gostam de ser ricos, mas em uma sociedade equilibrada onde a elite inútil e esbanjadora não agrada a ninguém. É uma mentalidade mais objetiva e empreendedora, que conserva a ética como princípio no relacionamento humano.
O desafio para eles é tentar cumprir todos os compromissos com a esquerda, sem perder o apoio dos sociais democratas na UE. Não é fácil, mas para quem acredita na luta, não é impossivel.

Até agora a chamada "geringonça" tem sido uma aliança crítica porém cautelosa para dar tempo às mudanças que poderão ocorrer entre os conservadores, graças à dialética. Não se pode esquecer que a UE está em crise, que a Inglaterra se afastou da União Europeia, que o pagamento das dívidas têm levado os países à miséria e à perda da soberania (como foi o caso da Grécia), que o problema dos refugiados das guerras é crescente e ameaçador para o fraco equilíbrio social, que o corte aos orçamentos de serviços sociais agrava as tensões internas em todos os países e acentua as carências, que o aumento das grandes fortunas beneficiadas por tráfico de capitais mal fiscalizados levanta uma onda de justa indignação e a queda da credibilidade das instituições financeiras e de justiça nacionais na UE, que a eleição de Trump tornou inseguro o equilibrio entre a UE e os EU e ameaça a criação de um ambiente de paz mundial.

Paulo Portas, ex-Presidente do CDS, da direita radical, escolheu um nome (que lhe pareceu pejorativo) de "geringonça" para o que lhe parecia uma aliança entre um PS - da direita social democrata europeia - com a esquerda comunista somada aos Verdes, e ao Bloco de Esquerda (que reune ex-radicais de esquerda e dissidentes do PCP).

Acontece que o termo "geringonça" explica uma realidade muito comum a quem pensa, cria, luta e vence, sem recorrer aos financiamentos que impõem condições ultrajantes ou a teorias escritas em economês que poucos digerem. Corresponde à realidade de um país pobre, de rica história passada, que fez uma revolução de meta socialista em 1974 e construiu uma reforma agrária estudada e admirada internacionalmente, inclusive pela FAO, produzindo a Constituição Nacional mais avançada da Europa. Deixou uma população com consciência de classe, que foi traida pela direita (de vários partidos), a qual vendeu a Pátria por milhões de euros que voaram para não se sabe onde, deixando-a sem produção própria e curvada à vassalagem dos ricos paises que financiam boas estalagens para aqui gozarem férias com boa comida e muito vinho.

Este quadro transformou o próprio PS, sobretudo uma juventude honesta que ali cresceu valorizando os conceitos de socialismo, democracia, justiça social, e conhecendo o vigor da população no 25 de Abril e o sofrimento depois de traida e tornada vítima da dívida bancária cobrada pela UE. Não se sentiram diminuidos por participarem da "geringonça" que defende os trabalhadores que não deixam de lutar pelos seus direitos, os estudantes que exigem melhores condições de ensino, os idosos que reclamam o apoio da Previdência e um sistema de saúde para todos.

A "geringonça" funciona porque à esquerda existe ética e as palavras não falseiam o conteúdo para efeito eleitoral. Não há oportunismo como é hábito da direita gananciosa. Importante é a admiração desta fórmula por outros países para impedirem a eleição de fascistas nas próximas eleições.

Zillah Branco

O mau uso da palavra PAZ



O sistema capitalista, para não reconhecer a crise que o despedaça em frações nacionais vitimadas pela promoção irresponsável do individualismo, da competição à procura de lucro e do desprezo pela tendência humana à solidariedade fraterna, comemora o Tratado de Roma que há 60 anos combateu a guerra entre Alemanha e França.

Assim, dizem orgulhar-se da paz criada entre duas nações que se tornaram aliadas através do poder financeiro e militar. Assim ocultam  que, para fortalecer uma Europa rica, destruiram a URSS pela guerra fria, e através da NATO e seus bombardeios, a Líbia, o Egito, a Siria, o Iraque, a Jugoslávia, a Ucrânia, e vários povos do norte da África, para além de realizarem os programas terroristas dos Estados Unidos que semeiam discórdias internas em paises alheios, em todo o Oriente médio e norte europeu, em todo o mundo. A verdadeira Paz, que só existirá com a independência dos povos a caminho do próprio desenvolvimento, desapareceu até mesmo dos sonhos dos modernos governantes.

Os discursos são desonestos ao fazerem uso de termos esvaziados dos seus verdadeiros conteúdos éticos: democracia, solidariedade, estado social, respeito humano, direitos sociais, paz, soberania, independência, justiça social. Quem comemorou a queda da URSS provocada pela guerra fria que abriu caminho para as ações internacionais mais inexcrupulosas - corrupção, crimes acobertados oficialmente, banditismo generalizado, informações falsas, violações de compromissos oficiais, promoção de anti-cultura nos órgãos de comunicação social, etc - não é capaz de aceitar o direito da humanidade de optar por outro sistema sócio econômico. Impõe os seus interesses mesquinhos de elite privilegiada fazendo uso da mesma falta de excrupulos para iludir os seus seguidores. Instituiram a negação dos princípios éticos liminarmente.

Não é por acaso que um alto funcionário da União Europeia refere os países mais pobres da Europa como irresponsáveis e dissolutos, que usam os apoios financeiros "com mulheres e copos", como diria um inquisidor medieval ou calvinista fanático. Ele está preocupado em descobrir o caminho das suas moedas dentro dos limites da sua falsa moral, não o benefício social alcançado por um povo que constrói a sua independência. A sua imaginação viciosa não alcança para além do que vê na sua roda de amigos de elite. Que sabe êle da produção nacional? Da educação e da saúde social? Da vida dos trabalhadores em miséria?

Os trabalhadores que aguentam os programas de austeridade é que têm fundamentos éticos para criticar os devassos das instituições financeiras que usam pessoalmente os recursos de todo um povo e jogam e roubam o que deverá ser pago por quem trabalha duramente e vive em péssimas condições. Mas o calvinista inquisidor Presidente do Eurogrupo não tem discernimento para tanto.
Os seus valores são apenas os sonantes. Ética está fora do mercado.

Portugal, país pobre e honrado

Em Portugal, o golpe militar que derrubou a ditadura de Salazar/Marcelo Caetano em 1974 contou com duas intenções opostas: a de realizar a justiça social dando condições ao povo para criar as bases do desenvolvimento social que tornariam Portugal independente (tese da esquerda civil e militar) e a que pretendia substituir uma fórmula política esclerosada de ditadura por outra versão moderna idealizada pela Europa e Estados Unidos (tese da direita, do PSD e do PS e Internacional Socialista).

O PCP trabalhara clandestinamente, durante quarenta anos, junto aos trabalhadores rurais e urbanos de todo o país pela consciência do seu papel condutor na transformação nacional e os militares de esquerda apoiaram o Movimeno das Forças Armadas e o seu líder Coronel Vasco Gonçalves que foi Primeiro Ministro durante um ano e meio em que levou à prática as principais medidas soberanas: fim da guerra colonial e libertação das colonias; nacionalização da banca e instituições financeiras; criação do salário mínimo nacional e da legislação do trabalho; fim do latifúndio e Reforma Agrária através de Unidades Coletivas de Produção e Cooperativas geridas pelos trabalhadores sob supervisão do Estado que assumia as propriedades e garantia os contratos de trabalho; nacionalização das empresas de interesse do Estado; criação de sistemas nacionais de saúde, educação e segurança social.

Com a ameaça de guerra civil pela direita, o coronel Vasco Gonçalves foi substituido por Mário Soares que legislou para destruir todo o programa de esquerda. Restou a Constituição que fora assinada por todos os partidos, de esquerda e de direita, como unico traço jurídico do que fora a utopia popular e da esquerda comunista e democrática formada na luta contra 50 anos de ditadura.

Até 2016 os governos eleitos alteraram PS e PSD, ambos comprometidos com as políticas determinadas pela União Europeia que foi injectando financiamentos para que Portugal tivesse estradas suficientes e de qualidade para a circulação de mercadorias recebidas nos seus portos, e grandes superfíceis comerciais estrangeiras contruiram os seus armazens modernos que venceram facilmente o antigo comércio logista do país, agora só presente em pequenos centros urbanos. A produção de vinho foi reorganizada, também para serem criadas grandes empresas que absorvem as boas castas de pequenas produções. Muitas produções de uvas e de laranjas foram destruidas por serem inadequadas ao padrão comercial da CEE apesar de serem deliciosas.

Portugal assumia a posição de marginal à economia europeia e aceitava a condição de dependência que os ricos paises da Europa impuseram através dos investimentos que geraram uma dívida incomportável para o seu PIB (gerida por bancos nacionais e estrangeiros que desviaram grandes quantias para paraisos fiscais e corrupção de funcionários do Estado) e o controle da Troika que limitou ao mínimo as despesas com o desenvolvimento social. O ultimo Primeiro Ministro do PSD, Passos Coelho, recomendou à juventude formada em Portugal que emigrasse. Foi o que fizeram, levando o benefício da formação portuguesa para outros paises que os contrataram. Mas este foi também o caminho de milhares de desempregados e de tecnicos conceituados a quem mal pagavam no seu país. Foi desertificado o patrimônio construtor do desenvolvimento nacional.

Falsa riqueza desperta consciências

Diante da austeridade insuportável, da fome que levou o pais a ter que criar a distribuição de alimentos sob a forma de caridade que humilha a população trabalhadora, a subalimentação das crianças e idosos, os casos de suicídio e doenças agravados pela miséria, a população seguiu a liderança do PCP, dos Verdes, da Intersindical, do Bloco de Esquerda, de várias Associações democráticas e de esquerda, e encheu as ruas de protestos que abalaram algumas consciências até mesmo conservadoras. A eleição em 2016 alterou a composição das forças políticas do Parlamento elegendo uma maioria de esquerda. Apesar de o PSD ter obtido o maior número de votos porque se coligara com o CDS de direita, a maioria parlamentar indigitou o candidato do PS para Primeiro Ministro. Venceu a maioria de esquerda que fez a Revolução dos Cravos, dentro de uma Europa amordaçada.

Toda esta mudança foi proposta pelo Secretário Geral do PCP em diálogo com as demais forças políticas de esquerda para surpresa até mesmo do PS (ou da direita socialista eternamente anticomunista). Mas prevaleceu e encontrou uma nova camada socialista que recomendava ao PS que "fizesse a sua autocrítica" () e assumisse uma postura coerente com os princípios democráticos que diferiam dos da UE. A direita, demorou a aceitar a realidade, que o Poder Judiciário precisou comprovar como válida a opção do Parlamento onde foi constituida uma aliança da esquerda com o PS, deixando a direita como oposição. Os radicais da direita deram o nome de "geringonça" que combinava o que eles pensavam ser esquerda e direita.

A realidade é outra, mais profunda, que supõe a necessidade do PS de não se deixar engolir pela UE que está dominada pelos EU e vendida ao poder financeiro mundial em crise. Supõe, por outro lado a dialética que abre oportunidades a novas maneiras de ver o processo político que, tal como está, pode escorregar para o caos planetário. Muita gente percebe que a ganância impede o equilíbrio entre a classe trabalhadora e os empregadores que gostam de ser ricos, mas em uma sociedade equilibrada onde a elite inútil e esbanjadora não agrada a ninguém. É uma mentalidade mais objetiva e empreendedora, que conserva a ética como princípio no relacionamento humano.
O desafio para eles é tentar cumprir todos os compromissos com a esquerda, sem perder o apoio dos sociais democratas na UE. Não é fácil, mas para quem acredita na luta, não é impossivel.

Até agora a chamada "geringonça" tem sido uma aliança crítica porém cautelosa para dar tempo às mudanças que poderão ocorrer entre os conservadores, graças à dialética. Não se pode esquecer que a UE está em crise, que a Inglaterra se afastou da União Europeia, que o pagamento das dívidas têm levado os países à miséria e à perda da soberania (como foi o caso da Grécia), que o problema dos refugiados das guerras é crescente e ameaçador para o fraco equilíbrio social, que o corte aos orçamentos de serviços sociais agrava as tensões internas em todos os países e acentua as carências, que o aumento das grandes fortunas beneficiadas por tráfico de capitais mal fiscalizados levanta uma onda de justa indignação e a queda da credibilidade das instituições financeiras e de justiça nacionais na UE, que a eleição de Trump tornou inseguro o equilibrio entre a UE e os EU e ameaça a criação de um ambiente de paz mundial.

Paulo Portas, ex-Presidente do CDS, da direita radical, escolheu um nome (que lhe pareceu pejorativo) de "geringonça" para o que lhe parecia uma aliança entre um PS - da direita social democrata europeia - com a esquerda comunista somada aos Verdes, e ao Bloco de Esquerda (que reune ex-radicais de esquerda e dissidentes do PCP).

Acontece que o termo "geringonça" explica uma realidade muito comum a quem pensa, cria, luta e vence, sem recorrer aos financiamentos que impõem condições ultrajantes ou a teorias escritas em economês que poucos digerem. Corresponde à realidade de um país pobre, de rica história passada, que fez uma revolução de meta socialista em 1974 e construiu uma reforma agrária estudada e admirada internacionalmente, inclusive pela FAO, produzindo a Constituição Nacional mais avançada da Europa. Deixou uma população com consciência de classe, que foi traida pela direita (de vários partidos), a qual vendeu a Pátria por milhões de euros que voaram para não se sabe onde, deixando-a sem produção própria e curvada à vassalagem dos ricos paises que financiam boas estalagens para aqui gozarem férias com boa comida e muito vinho.

Este quadro transformou o próprio PS, sobretudo uma juventude honesta que ali cresceu valorizando os conceitos de socialismo, democracia, justiça social, e conhecendo o vigor da população no 25 de Abril e o sofrimento depois de traida e tornada vítima da dívida bancária cobrada pela UE. Não se sentiram diminuidos por participarem da "geringonça" que defende os trabalhadores que não deixam de lutar pelos seus direitos, os estudantes que exigem melhores condições de ensino, os idosos que reclamam o apoio da Previdência e um sistema de saúde para todos.

A "geringonça" funciona porque à esquerda existe ética e as palavras não falseiam o conteúdo para efeito eleitoral. Não há oportunismo como é hábito da direita gananciosa. Importante é a admiração desta fórmula por outros países para impedirem a eleição de fascistas nas próximas eleições.

Zillah Branco

terça-feira, 7 de março de 2017

Do sentimento de discriminação à consciência de classe




Ao contrário do processo de despolitização que a direita promove junto aos grupos sociais que protestam contra a discriminação social e o preconceito cultural que impede a sua livre participação na sociedade por razões etnicas, de gênero, de opções sexuais, religiosas ou ideológicas, professoras universitárias dos Estados Unidos lançaram um manifesto baseado em aprofundados estudos da história e da filosofia do movimento feminista mundial, propondo a organização de um movimento fortalecido pela consciência de cidadania e de classe.

Só quando os movimentos sociais forem estruturados em função dos seus objetivos de luta poderão impor os seus direitos ao Estado com a participação em todos os níveis do poder saindo da fase de angariação de proteção paternalista à elite dominante que sempre está sujeita à manipulação política e às chantagens oportunistas que caracterizam o sistema.

Os problemas da violência contra todos os que lutam por mudanças na sociedade, pelo respeito à justiça e aos direitos humano, tem-se agravado especialmente contra as mulheres que suportam as tarefas domésticas e o trabalho remunerado para a sobrevivência familiar. Os estupros, as violações, os espancamentos em casa, o desprezo e humilhações de todo o tipo, são hoje moeda corrente em todos os países e servem de pasto à exploração midiática e ao comércio sexual de milhões de empresas dos mais diversos níveis sócio economicos sem que os responsáveis pelos governos ponham fim a estes flagelos. Combater tais crimes é uma necessidade urgente das mulheres, mas também de todos os que defendem a possibilidade de organização das famílias, da formação elevada das crianças, do apoio aos carentes e idosos, de sociedades civilizadas e saudáveis.

O texto amplamente divulgado atraves da net (Revista Jacobin de São Paulo 03/03/17 e blog Junho, Boletim Opera Mundi 04/03/17) que apoiam a convocação de uma greve internacional militante das mulheres para o próximo dia 8 de março de 2017, é da autoria de Cinzia Arruzza, professora adjunta de filosofia na New School e de Tithi Bhattacharya, professora associada de história na Purdue University. Ambas assinam, junto com Angela Davis, Keeanga-Yamahtta Taylor, Linda Martín Alcoff, Nancy Fraser e Rasmea Yousef Odeh, o manifesto que originalmente convocou “Por uma greve internacional militante no 8 de março“.

"Organizações feministas, populares e socialistas de todo o mundo convocaram uma greve internacional das mulheres no 8 de março para defender os direitos reprodutivos e contra a violência, entendida como a violência econômica, institucional e interpessoal.

A greve ocorrerá em pelo menos quarenta países e será o primeiro dia internacionalmente coordenado de protesto em escala tão grande depois de anos. Em termos de tamanho e diversidade de organizações e países envolvidos, será comparável às manifestações internacionais contra o ataque imperialista ao Iraque, em 2003, e os protestos internacionais coordenados sob a bandeira do Fórum Social Mundial e do movimento de justiça global no início dos anos 2000. Greve indica possibilidade concreta de um movimento feminista novo, poderoso, anticapitalista e internacionalista".


No outono de 2016, as ativistas polonesas adotaram a estratégia e a mensagem da greve das mulheres de Islândia em 1975 e organizaram uma greve massiva de mulheres para impedir a aprovação de um projeto de lei no parlamento que proibisse o aborto. Ativistas argentinas fizeram o mesmo em outubro passado para protestar contra a violência masculina contra as mulheres.

Esses eventos – que estimularam a ideia de uma greve maior no Dia da Mulher – demonstram como uma greve de mulheres é diferente de uma greve geral. A greve das mulheres surge da reflexão política e teórica sobre as formas concretas do trabalho feminino nas sociedades capitalistas.

No capitalismo, o trabalho das mulheres no mercado formal é apenas uma parte do trabalho que realizam. As mulheres são também as principais realizadoras do trabalho reprodutivo – trabalho não remunerado que é igualmente importante para a reprodução da sociedade e das relações sociais capitalistas. A greve das mulheres destina-se a tornar este trabalho não remunerado visível e enfatizar que a reprodução social é também um local de luta.

Além disso, devido à divisão sexual do trabalho no mercado formal, um grande número de mulheres ocupam postos de trabalho precários, não têm direitos trabalhistas, estão desempregadas ou são trabalhadoras sem documentos. As mulheres que trabalham no mercado formal e informal e na esfera social não reprodutiva são todas trabalhadoras. Essa consideração deve ser central para qualquer discussão sobre a reconstrução de um movimento operário não só nos Estados Unidos, mas também globalmente.

Enfatizar a unidade entre o local de trabalho e o lar é fundamental, e um princípio organizador central para a greve de 8 de março. Uma política que leve a sério o trabalho das mulheres deve incluir não só as greves no local de trabalho, mas também as greves do trabalho reprodutivo social não remunerado, as greves de tempo parcial, os chamados para redução do tempo de trabalho e outras formas de protesto que reconhecem a natureza de gênero das relações sociais.

Os Estados Unidos têm talvez as piores leis trabalhistas entre as democracias liberais. As greves gerais e as greves políticas são proibidas, as permitidas estão ligadas a exigências econômicas restritas dirigidas aos empregadores e os contratos têm frequentemente cláusulas explícitas anti-greves, cuja violação pode fazer com que o trabalhador perca o emprego e acarretar multas pesadas para o sindicato que organiza-las. Além disso, vários estados, como Nova York, têm leis que proíbem explicitamente funcionários públicos de entrar em greve.

A discussão sobre como reverter esta situação e empoderar os trabalhadores tem sido a principal preocupação estratégica da esquerda dos Estados Unidos nas últimas décadas. No entanto, um dos perigos desta discussão é o de reduzir a luta de classes apenas à luta econômica e de unir as relações sociais capitalistas com a economia formal em sentido restrito.

A transformação das relações de trabalho nos Estados Unidos requer não apenas uma ativação da classe trabalhadora com base em demandas econômicas no local de trabalho, mas sua politização e radicalização – a capacidade de realizar uma luta política dirigida à totalidade das relações de poder, instituições e formas de exploração em vigor.

Isto não pode ser alcançado apenas melhorando e expandindo a organização do trabalho de base no local de trabalho. Um dos problemas centrais que o trabalho político radical enfrenta é seu isolamento e invisibilidade. Estabelecer as bases para a revitalização do poder operário exigirá operar em diferentes níveis – criando grandes coalizões sociais, agindo dentro e fora dos locais de trabalho e estabelecendo laços de solidariedade e confiança entre organizadores e ativistas trabalhistas, antirracistas, feministas, estudantes e anti-imperialistas. Também significa aproveitar a imaginação social através de intervenções criativas, intelectuais e teóricas, além da experimentação com novas práticas e linguagens.

Em vez de um foco estreito sobre as lutas no local de trabalho, precisamos conectar movimentos baseados em gênero, raça, etnia e sexualidade, em conjunto com a organização do trabalho e o ativismo ambientalista. Somente criando essa totalidade coletiva seremos capazes de abordar a complexidade das questões e demandas apresentadas pelas diversas formas de mobilização.

Este é o caminho que a greve internacional das mulheres está perseguindo com sua plataforma política expansiva e inclusiva. O 8 de março não será uma greve geral. Mas será um passo importante para um novo ciclo de legitimação do direito de greve contra as degradações do capitalismo sentidas em todas as esferas da vida por todos os povos."


Podemos acrescentar que o movimento pelos direitos das Mulheres, que existe desde o século 19 e foi desenvolvido mundialmente com a Revolução Soviética, ao conseguir criar uma estrutura política combativa que permitirá aprofundar os conhecimentos relativos aos direitos de cidadania, dará um salto de qualidade assumindo a consciência de classe a partir do sentimento de discriminação social.

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Os pobres na mira

Os pobres são considerados como "o grande inimigo" do sistema capitalista. Desde que criaram os robôs para enfrentarem o trabalho pesado e sujo, consideraram que os pobres estão a mais.


Ocupam um espaço que poderia ficar disponível para embelezarr as cidades e não para as favelas, precisam ser alimentados pelo Estado que não tem vocação para a caridade, criam necessidades especiais de educação, saúde e assistência social que oneram os orçamentos, e estão sujeitos a serem manipulados por gangues que perturbam a segurança social. Assim pensam os "donos do poder do capital, com o seu egoísmo próprio, convencidos de serem os "donos do mundo".

Senão, vejamos.

As alterações climáticas, se não forem acompanhadas pelos governantes, poderão determinar a necessidade de emigração das populações vitimadas pelas secas ou pelas enchentes provocadas naturalmente. Se os governantes forem responsáveis, procurarão com as informações científicas que precedem os desastres cíclicos, desviar rios, fazer obras de rega para alimentar casas e plantios, criar proteções para as populações locais, que amenizam e até alteram os fenómenos climáticos evitando as migrações forçadas e a fome que as acompanha. O despovoamento provoca alterações sociais e económicas destruidoras da cultura e das tradições que enriquecem os povos.

Mas, continuamos a ver em pleno século 20 situações de miséria no chamado Terceiro Mundo que "teóricamente" deixou de ser colonizado, como o era há mais de 500 anos. E então o apoio internacional é do tipo "caridoso" com a organização da "campos de refugiados" e doação de alimentos e pouco mais, que mantém uma "miséria controlada" como Deus quiser. Entretanto os polícias do mundo, (em função imperialista de interesse das nações ricas que permanecem como abutres de olho nas riquezas naturais que não são exploradas pelos atrasados países da região), provocam antigas rivalidades tribais, de caracter étnico ou religioso, que matam tanto como a miséria. Portanto vemos o aproveitamento político e financeiro dos desastres ambientais, que se tornam também cíclicos como as alterações climáticas e mais perversos que ela. Assim "fabricam" pobres aos milhões e ajudam o morticínio deles a curto e longo prazo.

Em alguns lugares surgiram soluções pontuais que os cientistas e técnicos - da produção agrícola, da defesa sanitária e de saúde, do desenvolvimento social e político, do aproveitamento racional da água e da criação de novas formas de utilização das fontes naturais de energia - defendem como soluções inteligentes e possíveis para garantir melhores condições de vida para os povos.

Este foi o caso, por exemplo, da reforma agrária em Portugal a partir de 1975, processo que provocou aumento de produção e produtividade de alimentos, criação de milhares de empregos fixos com remuneração controlada pela legislação laboral, equipamentos sociais como creches, centros de dia para idosos, escolas e centros de saúde, abertura de caminhos, estradas, serviços de regadio, construção de reservatórios de água etc., e que foi interrompido pelos governantes com o pretexto de que a direita (até então uma "maioria silenciosa") ameaçava com uma guerra civil se o processo não fosse destruido e impossibilitado jurídicamente. Essa direita eram os antigos latifundiários que queriam manter as suas terras improdutivas para servirem ao ócio familiar,às caçadas com amigos, o poder das propriedades. Era uma minoria de ricos que, com o controle da informação social e do Estado que negava a sua responsabilidade social, controlava uma "maioria silenciosa" habituada pela ditadura anterior a obedecer as ordens dos patrões.

Mais recentemente foi o caso de um Brasil democratizado que, graças a Lula e quem o apoiou, retirou mais de 40 milhões de brasileiros da condição de miséria, que abriu caminhos para que os mais pobres pudessem estudar e atingirem carreiras de nível universitário, para que as regiões secas fossem irrigadas, para que os excluidos das cidades recebessem cuidados médicos e apoio institucional do Estado, que criou empregos e desenvolveu a indústria de petróleo, o banco de desenvolvimento, uma política externa que integrou o antigo país colonizado nos meios internacionais mais desenvolvidos, e ... provocou a "minoria silenciosa golpista" que com a ajuda do imperialismo sabotou o desenvolvimento nacional com o controle da política financeira e de informação social, e comprou antigos "democratas" que trairam o povo que os elegeu e venderam a pátria como Judas vendeu Cristo. Os pobres ameaçavam o conforto e os privilégios dos ricos que têm cifrões na pupila e nenhuma dignidade humana.

Os métodos de trabalho político dessa "minoria silenciosa e perversa" é sempre o mesmo. Financiam gangues criminosas para desestabilizarem a sociedade criando insegurança, divulgam mentiras e apregoam violências para intimidar os que têm consciência dos seus direitos de cidadão, compram os desonestos que têm postos no Estado para boicotarem o atendimento social, alimentam as dissenções na sociedade, ameaçam com desastres naturais, sociais e religiosos, inventam falsidades para justificar um golpe que cala os funcionários mais bem pagos que parasitam o Estado, assistem com ar compungido os acidentes de avionetas que eliminam vozes contrárias, cortam as conquistas sociais, empobrecem o país, vendem as riquezas nacionais aos sócios estrangeiros, aumentam o desemprego. Esperam que os pobres, e quem os defendem, morram de fome, de doença, de acidente ou de crime.

Lemos nos jornais : "Um estudo sobre 1,7 milhão de pessoas, publicado pela revista médica The Lancet, traz de volta esse problema negligenciado: a pobreza encurta a vida quase tanto quanto o sedentarismo e muito mais do que a obesidade, a hipertensão e o consumo excessivo de álcool.
O estudo é uma crítica às políticas da Organização Mundial da Saúde (OMS), que não incluiu em sua agenda este fator determinante da saúde — tão importante ou mais do que outros que fazem parte de seus objetivos e recomendações."

“O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, dizem os autores do estudo publicado pela The Lancet, cerca de trinta especialistas de instituições de prestígio como a Universidade de Columbia, o King’s College de Londres, a Escola de Saúde Pública de Harvard e o Imperial College de Londres."

São notícias de uma Europa rica que financiou, com os Estados Unidos, a Otan para invadir países do Oriente Médio e do Norte da África, destruindo antiquíssimas sociedades organizadas (que têm muita riqueza natural cobiçada), de onde há anos partem milhares de pessoas que fogem às guerras, à fome, à desordem introduzida nas suas vidas antes equilibradas, em busca de um lugar para sobreviverem. Tornaram-se pobres e vão enfrentando pelo caminho as várias formas criada pelos ricos para que morram: enchem navios que são deixados em alto mar sem controle, sem alimentos, e que naufragam. Ou chegam à costa europeia e ficam presos em "campos de refugiados" com um arremedo internacional de apoio. Ou saem tentando chegar às cidades mas encontram muros improvizados com arame farpado protegidos por soldados armados. Constituem uma massa humana miserável de emigrantes repudiados pelos paises mais ricos ( os países mais pobres recebem os refugiados que sabem que ali vão encontrar os problemas que os povos pobres já sofrem).

Nos países pobres ou ricos da Europa, o conceito de Segurança Social é muito discutível pois mal oferece recursos de assistência social à grande maioria dos mais pobres para não falar no valor das pensões de velhice que só dão para uma (também pobre) alimentação, uma habitação (?) em vão de escada, e pouco ou nada para tratamentos e alguma atividade cultural (gratuita em que se gasta com transporte). Os países mais pobres têm a vantagem, que não exige investimentos financeiros, de ser cultivado o esoírito fraternal da solidariedade.

E os Estados Unidos elegeram para Presidente um milionário que pensa o país como se fosse um "boteco do Farwest" e expulsa o emigrante como se fosse criminoso formado na escola de terrorismo (que os ricos criaram e financiaram), e não a sua primeira vítima. País de origem emigrante, com uma bela história inicial de pioneiros, que se transformou em abutre das nações vizinhas avançando as suas fronteiras descaradamente sobre o território mexicano onde hoje constrói um muro para impedir que os pobres usurpados entrem nos Estados Unidos transformado em ameba mundial.

No entanto, Cuba, que foi isolada durante 60 anos pelos Estados Unidos com um bloqueio internacional, não tem um caso de subnutrição, a mortalidade infantil é das mais baixas do mundo, não há analfabetos, tem uma escola de medicina que forma médicos para os países que precisarem, defende o seu povo com muito êxito dos mesmos tufões que matam nos Estados Unidos.

Qual a diferença entre aquela pequena ilha com este "mundo cão" em que vivemos?

Lá são todos igualmente pobres, desenvolvem os projetos necessários para produzir alimentos, a saúde e o ensino são gratuitos e de boa qualidade, os "vende pátrias" não alcançam o poder no Estado, a população em peso chorou a morte de quem dirigiu o Governo por quase meio século. É socialista, fez a sua Revolução.