sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Um século de história sob o controle imperial

Opinião

Brasil: Um século de história sob o controle imperial


25 DE AGOSTO DE 2016


A condição do Brasil é, apesar da sua riqueza incontestável e das conquistas a nível científico, artístico e técnico, de subdesenvolvimento. Permanece sujeito à exploração neocolonial como o foi na fase colonialista. E isto se deve a uma elite que circula pelo poder político subordinada ao domínio do sistema financeiro nacional e internacional. Não cabe uma análise moralista dos que intervêm na vida nacional, mas a imagem do país terá de ser ética, para ser respeitado como formador íntegro da cidadania.

Por Zillah Branco

Boas pessoas quando jovens, recusam uma dedicação patriótica que os animou quando ainda tinham sonhos de heroísmo em que entregavam a vida para defender a independência nacional e o desenvolvimento do seu povo, como se fosse expressão de fraqueza ou ingenuidade, coisas de criança. Justificam a mudança de rumo ideológico com o pretexto de que o momento é dos espertos para, depois, poderem caridosamente “ajudar os necessitados”. Despem a pesada capa de valores éticos que um dia vestiram e vendem a consciência e a alma, por atacado ou no varejo, a quem der mais. Passam, de uma “alucinação positiva para outra negativa”, referida por Flávio Aguiar (blog Boitempo).

Assim, ex-democratas que imitaram heróis de verdade, trocaram os objetivos pessoais e os princípios herdados que os obrigavam a ser íntegros, honestos, solidários, responsáveis e progressistas, pela perfídia, o desprezo autoritário, a crapulice, o prazer da traição, o gozo da maldade. Sentem-se, talvez, livres de um peso que os tornava gente comum. A meta é o poder que compra prazeres cobiçados.

É uma minoria, entre os que se agarram ao topo do muro, como se não participassem da traição visível. Esta segunda corja não se sente vendida, apenas mantêm os cargos de confiança com as regalias que as leis autorizam e esperam que a tempestade passe e que a inércia os proteja. Aceitam a acusação de “fracos”, pensando que merecem ajuda e compreensão.

Nada têm a ver com os que erraram e percebem que têm alguma responsabilidade no êxito dos traidores. “Só não erra quem não faz” e “errar é humano”, são velhos provérbios. Mas este respeito pelo direito a ter errado só vale para os que reconhecem o erro e procuram maneira de o corrigir. Perigosa é a aceitação passiva de “erros habituais”, abrindo um caminho permissivo sem volta. Quem procura justificações atirando os erros para outros, ou culpa alguém pela sua ignorância anterior, cai na situação dos fracos que se autodesculpam ou se promovem, por oportunismo.

Os que descobrem os erros e não se escondem merecem confiança, pois ajudam a revelar as falhas que aparecem com a transformação das condições sociais. E assim evolui a história, desvendando novas possibilidades de superação dos erros.

A história do Brasil é rica em heróis. Sem ultrapassar um século, vemos surgir a República destronando o monarca que, por ingenuidade popular e ignorância comandada, merecia confiança permitindo vagarosamente que fosse decretado o fim da escravidão e a expansão das ideias positivistas que abriram o caminho republicano e democrático. É verdade que a Primeira República foi dominada pelos senhores rurais e o fim da escravidão africana deveu-se também à pressão da Inglaterra. Tudo boa gente? Nem tanto.

As verdades começaram a ficar mais claras com o movimento tenentista, depois o sacrifício dos 18 do Forte de Copacabana, a seguir a Coluna Prestes que teve como dirigentes heroicos os jovens militares Luís Carlos Prestes, Miguel Costa, Siqueira Campos, mas também Eduardo Gomes e Juarez Távora e outros que seguiram depois por caminhos políticos ideologicamente contrários. Não traíram, apenas se divorciaram no desenrolar da história. Cada um dos heroicos dirigentes da Grande Marcha que desvendou a realidade vivida e sofrida, do sul ao norte do Brasil, pelo povo explorado e miserável, desenvolveu teorias diferentes para buscar corrigir os graves problemas nacionais.

“Não há solução possível para os problemas brasileiros dentro dos quadros legais vigentes. A questão não é de homens, mas de fatos, isto é, de sistema e de regime. Nenhum governo, mesmo animado das melhores intenções desse mundo, poderá, nos limites da legalidade normal, resolver os problemas nacionais em equação. A solução tem de vir de uma transformação radical em tudo, não apenas na superfície política, é preciso reorganizar o país sobre bases novas. É preciso criar novas bases econômicas e sociais de relações entre os homens que habitam e trabalham nesta grande terra. É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.” (Luís Carlos Prestes, entrevistado no final da Grande Marcha por Astrogildo Pereira, 1928)

“Estas coisas ditas por Prestes têm uma importância fundamental. Elas mostram que a Revolução, para Prestes, não é um mero motim militar. Ela é um fenômeno social infinitamente mais complexo. Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular em que o elemento militar desempenhe o papel – já de si imenso – de dínamo propulsor. Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E a esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.” (Astrogildo Pereira, transcrição da entrevista citada para o Jornal “Diário da Manhã” do Recife)

Eduardo Gomes e Juarez Távora lideraram partidos políticos que defendiam o sistema capitalista “humanizado” e eram admirados pela crescente burguesia nacional que ligava a oligarquia rural ao empresariado urbano animado pelo apoio da Inglaterra ou dos Estados Unidos sem ver que aquele povo miserável do Brasil profundo era cada vez mais explorado e afastado da condição de cidadãos brasileiros.

E assim seguiu a história do Brasil subdesenvolvido cobiçado pelo imperialismo por um caminho cheio de curvas até 1964 quando foi dado um golpe sob a cobertura dos militares. A repressão ditatorial promoveu a aproximação dos progressistas que levantaram uma bandeira “democrática”. Surgiu o Movimento Democrático Brasileiro, única porta aberta à esquerda pois os comunistas e todos os que agissem como militantes de uma causa socialista foram para a clandestinidade perseguidos, torturados ou mortos. Passaram-se 21 anos cinzentos que deram origem à formação de novos caminhos para a reconquista da liberdade de expressão. Os que se consideravam “democratas” e defendiam o neoliberalismo formaram os primeiros governos. O governo de FHC aproximou-se das forças dominantes definindo a direita nacional submissa ao poder financeiro internacional.

Com a formação do PT foram aglutinadas diferentes forças de esquerda que impulsionavam movimentos sociais e sindicatos operários, contando com iniciativas de setores da população que militam independentes de organizações partidárias junto a igrejas, universidades, associações várias. Lula é eleito com um programa contra a Fome que merece a admiração internacional, e pela integração popular cidadã com o apoio de partidos de várias tendências acobertadas pelo termo genérico da “social democracia”. O governo abre caminhos contraditórios entre si, desconhecendo a luta de classes que se agrava à medida em que a injusta distribuição de rendimentos sacrifica o atendimento social às camadas mais pobres, antes marginalizadas, e favorece a acumulação do capital da elite empresarial que põe em prática o sistema de corrupção, de promoção de privilégios salariais e impunidade judicial, fortalecidos pelo controle da mídia que funciona como um quarto poder no país. Aparentemente o Brasil é fortalecido pela autonomia na exploração das suas riquezas e na redução visível da miséria que assolava um terço da sua população, o que promove a ilusão de que estava livre das crises do sistema capitalista.

A linguagem política dos liberais altera-se à medida em que crescem as reivindicações, de base democrática e de respeito por categorias antes desprezadas – mulheres e trabalhadores – de modo a distanciar-se do discurso e dos partidos revolucionários. Aparentemente desaparece a luta entre classes e emerge uma classe média que tem como objetivo identificar-se com a alta burguesia a começar pela aparência e o comportamento modelado sob o comando da mídia. A indústria lança produtos de qualidade inferior com o desenho das marcas mais caras e investe na propaganda do “consumismo” como padrão de modernização. Este novo estrato social repudia os mais pobres e a consciência do proletariado que exerce a pressão para obter as conquistas da legislação do trabalho, e adere à ideologia liberal defendida pelo patronato. A democracia reduz-se, praticamente, ao combate à fome, às medidas corajosas de um Governo enfraquecido apoiado pelo povo, ao direito universal ao voto que é condicionado pelas campanhas eleitorais sob efeito de grandes somas de dinheiro, corrupção e a condução midiática sob o olhar cauteloso dos Estados Unidos dedicado a estraçalhar os países do Oriente Médio e da África onde vai buscar o petróleo com a parceria da União Europeia.

Paralelamente a nível mundial

As instituições de ensino superior e investigação científica, criadas ou apoiadas pelo imperialismo, aprofundaram os estudos do marxismo para poder combater o método dialético utilizado pelos revolucionários, com forte propaganda política embalada em linguagem democrática com sentido contrário. Com uma perspectiva de direita estudaram o marxismo e o percurso do socialismo realizado pela URSS e demais países revolucionários para se apropriarem dos êxitos incontestáveis da ideologia de esquerda tergiversando sobre os conceitos. Deram origem a novas interpretações teóricas que serviram de estímulo ao combate aos comunistas que referem a linguagem dos revolucionários do século XIX e início do XX quando o sistema socialista foi introduzido com a formação da União Soviética e os movimentos de libertação por ela apoiados em todo o planeta. Dessa maneira a direita apropriou-se da forma dos conceitos esvaziando do conteúdo revolucionário.

A Guerra Fria alcançou a sua meta antirrevolucionária depois de 70 anos de espionagem, terrorismo, fabuloso investimento em armas, invasões de países com movimentos de libertação em todo o planeta, formação de investigadores de todo o mundo para se apropriar do “know how” de todas os povos. Mas também com a apropriação de uma cultura que substitui a consciência da realidade social pela ambição pessoal de vencer a qualquer custo como fazem os animais selvagens facilmente controlados por sons e luzes que os encantam.

Como bem observam os chineses, agora que alcançaram o estatuto de grande potência e fazem sombra aos países mais desenvolvidos do sistema capitalista, hoje os que emigraram para estudar, deixando a sua produção científica nos países ricos, despertam para o necessário combate ao imperialismo e voltam atraídos pelas suas nações de origem em luta pelo desenvolvimento e com capacidade para aplicar as qualidades do sistema socialista em sociedades mais humanas e efetivamente democráticas. Deslumbrada com o brilho ofuscante do capitalismo fica uma população embrutecida sob o controle mecanizado do método antirrevolucionário para consumir qualquer novo produto que alimente a elite dominante (de que foi expoente máximo a sessão que aprovou o impeachment contra Dilma no Congresso Federal do Brasil).

O caminho foi aberto

A evolução se dá aos saltos e sofre retrocessos pontuais como os golpes que germinam na América Latina alimentados pela pressão de grupos contrarrevolucionários que alcançaram o controle de países ricos através da centralização de poder financeiro e domínio do chamado Mercado Livre no planeta. Os nichos criados pela política de direita reacionária aproveitam-se dos erros cometidos sob a pressão das necessárias alianças partidárias e usam os potenciais traidores da sua pátria mediante corrupção financeira e promoção institucional que são os pontos vulneráveis abertos pelo liberalismo, como assinalou Luis Carlos Prestes em 1928:

“É preciso quebrar, resolutamente, as cadeias que oprimem o Brasil e impedem seu desenvolvimento ulterior, sua expansão fecunda e gloriosa.”

E Astrogildo Pereira, que divulga este pensamento de Prestes, formula o caminho de luta:

“Para resolver os problemas nacionais, a Revolução tem que ser um vasto e profundo movimento popular (…) Evidentemente, movimento dessa natureza, assim amplo e difícil, não pode ser obra de um simples momento de exaltação. Ele exige, ao contrário, longa, paciente, laboriosa preparação. E à esta preparação, devem consagrar-se, coordenadamente, todas as forças progressistas do país.”

Lula assumiu, com êxito inegável, o papel heroico de líder popular ao ser eleito em 2002 por dezenas de milhões de brasileiros que repudiaram o programa neoliberal resultante, mais uma vez no Brasil, da combinação de tendências anti-ditatoriais apoiadas pelo vizinho imperialista que se considera dono do continente americano. O processo histórico desencadeado não se ateve às curtas rédeas do sistema capitalista vigente. Criou uma dinâmica para atender a grande massa popular com o produto do trabalho e das riquezas nacionais, o que levou a elite a abandonar a vestimenta democrática que envergara para contrastar com a ditadura falida.

Além de ser urgente a reconstrução da Nação – com a sua força produtiva voltada para o aproveitamento do patrimônio em benefício de uma população de mais de duzentos milhões de habitantes e do desenvolvimento das instituições sociais e de produção científica e artística, – impõe-se a reposição dos valores abandonados pelo sistema legislativo que mostrou a sua fragilidade na defesa do equilíbrio patriótico posto em causa por um ato golpista.



- See more at: http://www.resistencia.cc/brasil-um-seculo-de-historia-sob-o-controle-imperial/#sthash.nvkzf7C8.dpuf

terça-feira, 9 de agosto de 2016

FORA TEMER ! Apesar de você, o Brasil de amanhã será outra vez dos brasileiros

Apesar da história do subdesenvolvimento e da dependência econômica impostos pelo sistema de dominação política, dos vícios da elite permissiva e inconsequente que domina o Estado, da falta de ética ou de inteligência de uns quantos que, com seus diplomas comprados, chegaram ao poder, Lula abriu um caminho para que o povo pensante e trabalhador chegasse ao comando da nação através da razão e da cultura "pé-na-terra" que une a gente boa brasileira.


Não ha "pokemons" que imbecilizem quem nasceu livre, com idéias claras, com valor para trabalhar e sorrir, com força e entusiasmo para participar da luta pela democracia, ao lado de irmãos que, pelas suas diferenças, representam todo o planeta unificados pela integridade e a honra de patriotas verdadeiros. A judoca Rafaela Silva conquistou o ouro nas Olimpíadas tornando-se um simbolo dos brasileiros que carregam os problemas da pobreza, da vida em favelas, da cor dos escravos, do gênero das mães humilhadas, e vencem!

Os comunistas lutam em duas frentes simultaneamente: o combate ao golpe que representa a falta de patriotismo, de honra, de decência, de dignidade, de honestidade, de ética e a construção de uma semente para gerar as cidades humanas onde o DNA golpista não terá espaço porque o poder será dos que cultivam os princípios democráticos e o respeito pelos direitos humanos. O que se deseja é que os recursos do país sejam aplicados a favor do desenvolvimento da produção social e das melhores condições de vida dos brasileiros honrados e patriotas - com transporte, cuidados de saúde, ensino com educação e solidariedade, segurança pública e social, emprego e lazer livres da exploração de classe e da alienação mental que condena à subordinação dos cidadãos a um poder desumano e golpista.

"Amanhã será outro dia", apesar do golpe que uniu oportunistas que pegaram carona no processo democrático e falhados vendidos aos ambiciosos que espalham as guerras e o terrorismo pelo mundo, o Brasil demonstrará que a sua cultura é mais forte porque visa a humanização da sociedade com igualdade para os trabalhadores e suas famílias e não a acumulação do capital para satisfazer uma elite ambiciosa.

O amanhã está ligado ao combate ao golpismo de hoje. São passos de um mesmo processo que a história do Brasil registra através dos séculos. Antes surgiram heróis que deram a vida ao seu povo como exemplos a serem seguidos em defesa da liberdade, a igualdade e a fraternidade. Apesar do domínio capitalista que retira o poder aos povos para centralizar nas instituições financeiras dirigidas por uma elite corrupta e egoísta, o povo brasileiro absorveu das conquistas mundiais e do exemplo dos seus heróis a formação social humanista que se desenvolveu como filosofia, ciência e arte que hoje se manifesta nas Frentes de Luta que dominam as ruas das grandes cidades em todo o país.

Referimos como exemplo a judoca Rafaela Silva que ao viver tantos sacrifícios pessoais - vitima de privações de recursos, de preconceitos elitistas, de egoísmos de quem se julga superior, da ausência de justiça democrática na sociedade - descobriu a sua força indomável na luta bem conduzida. Assim faz o povo brasileiro que não permite a uma quadrilha de invasores a serviço de uma elite terrorista, roube a sua Pátria amada construída ha meio milênio por trabalhadores de tantas origens que não se vendem, a si e à sua cultura, à sua história, aos seus valores éticos, ao seu exemplo humano, por dinheiro nenhum. Lutam e vencem!

Não podemos continuar a perder tempo. Temos de nos preparar para a construção das cidades humanizadas com debates sérios sobre como produzir sem o esbanjamento da elite, sem a formação do mau caráter de golpistas, sem a infiltração de inimigos, sem os privilégios que impedem a justiça democrática, com o desenvolvimento da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Contaremos com o interesse e a solidariedade dos outros povos latinos-americanos e dos que, em todo o planeta, lutam pela paz e a democracia.

Fora golpistas! Viva a luta popular no Brasil! 


terça-feira, 2 de agosto de 2016

Que Brasil queremos?




As teorias são ferramentas particulares de conhecimentos da realidade existente - fotografias minuciosas do passado e da transformação no presente. Devem ser despidas do "eu acho que..." traduzidas em "verdades absolutas" pela elite "dona da verdade". Uma ganga elitista anula a possível transmissão de uma imagem da realidade. A pergunta sobre "o que queremos" não pode ser respondida apenas pelos intelectuais que debitam as suas formulas, muitas vezes fora de época e sobretudo longe do contexto geopolítico, humano, social e econômico existente. É preciso aprender a perguntar ao povo sem pretender ensinar-lhe a pensar. Pois ele pensa e sabe mais do que diz nas respostas às fórmulas habituais que circulam em uma sociedade criada para a elite.

Guardo lições ditadas por analfabetos com quem convivi na infância: "O Brasil não tem um povo, tem um montão de gente" (Cassiano, pedreiro, filho de escravos); "A vida não é uma escada, é um caminho" (Dona Justina, caiçara); "Quem despreza a gente é porque tem medo" (Brazília, cozinheira doméstica, filha de escravos). A leitura dos livros do Sítio do Picapau Amarelo ensina o que era o Brasil no século vinte, visto de baixo para cima e sem esconder a cultura importada da Europa que dominava socialmente. Monteiro Lobato desnudava o pensamento brasileiro e apontava a crítica necessária para a superação dos preconceitos que eram instrumentos do poder elitista, a começar do racismo, o machismo, a presunção classista, os "donos da verdade" que desconheciam os obstáculos reais. Precisou inventar uma boneca de pano e um de sabugo de milho para sugerir o futuro brasileiro que promoveria mudanças aliado às crianças educadas com liberdade. Misturou mitos europeus com os dos indigenas daqui e mais os que os africanos trouxeram, para abrir as portas a uma cosmogonia onde as diferenças se casam. Apontou um futuro em que, por respeito aos diversos pensamentos, a harmonia seria natural e criativa.

Autores comunistas descreviam os quadros da vida miserável em que viviam os trabalhadores e exibiam a inteligência que a pobreza não destruia, a alegria e  o respeito humano criativo, que eram divulgados por artistas geniais em sons e cores. E denunciavam os exploradores que acumulavam riquezas roubadas à natureza e às gentes brasileiras que não se amesquinhavam por "propriedade privada" e "ganância". Gente forte, gente sábia, gente que sobreviveu ao colonialismo e ao liberalismo e agora recusa o neo-colonialismo imperial. Gente que vai construir um Brasil independente.

Os colonizadores europeus trouxeram a cultura e as conquistas sociais alcançadas pelos Estados organizados através dos séculos, mas com a ambição de usar o novo território a favor das suas novas guerras intestinas, do fascínio pelo ouro e joias, com o sonho do poder total. Trouxeram também as contradições que minavam as suas nações, os que lutam pela liberdade, a fraternidade e a igualdade em vários idiomas. As elites tentaram implantar um pensamento congelado, que impedia o raciocínio e ameaçavam com os medos físicos e mentais dos opressores prometendo vinganças terríveis a quem levantasse dúvidas.

A dialética rompeu os grilhões. Era como o saci da mitologia afro-brasileira. Ninguem engole o saber do outro ou repete como papagaio os sons aprendidos. O Deus barbudo e severo e seus emissários santificados assumiram as feições que a cultura de quem convive com a natureza conhece, com sentimentos suaves e considerações éticas que abrem espaço para a harmonia e a alegria, bases para a justiça.

Os abusos nas guerras e no relacionamento doméstico, praticados pela elite, levaram o povo pacífico a criar defesas: surgiram os heróis do povo que lideraram ações libertárias de um Estado embrionário. Os modelos administrativos vindos da Europa desafinavam das necessidades sentidas pelas populações. Eram instituições próprias para a elite e os seus seguidores obedientes.

O modelo de revolução socialista penetrou como o antídoto à cultura da exploração europeia. O Cavaleiro da Esperança criou a guerrilha popular e atravessou o país, do sul ao nordeste, conhecendo a crueza da vida imposta aos povoadores do Brasil e traçando o caminho da luta. Chamou a atenção de pensadores de outros países latino-americanos e dos revolucionários da Rússia Soviética. Foi empossado como dirigente no nascente Partido Comunista. Tinha todas as qualidades de um herói nacional das gentes brasileiras, da maioria analfabeta à burguesia nacionalista. A ideologia aplicada por Lenin, que conheceu na Rússia revolucionária em plena criação de um sistema socialista, casou com os seus sentimentos puritanos cristãos. Pacientemente lutou pela constituição de um proletariado industrial e de um Estado social enquanto os abutres imperiais consumiam as riquezas minerais como lastro dos seus navios carregados com a produção agrícola barata exportada para a Europa.

Poucos intelectuais pensavam a realidade vivida pela maioria brasileira. Sequer observavam e faziam perguntas aos iletrados ou às mulheres que suportam a luta diária pela sobrevivência familiar. Alguns consideravam-se os seus interpretes, referindo teorias de origens diversas, de outras épocas e outras culturas. Interpretavam com os parâmetros da elite. Nos países subdesenvolvidos, colonizados ou dependentes do mercado e da cultura dos mais desenvolvidos, não havia diálogo entre a elite e a população. Os eleitos eram os cidadãos prestigiados "que pensam", apoiados pelos coroneis, por seus obedientes e alienados familiares, e mais o "voto de cabresto" do povo trabalhador. O resto era paisagem.

No Brasil a legislação era liberal, cópia do sistema europeu. Os preconceitos de classe, racista e machista, como pano de fundo na sociedade, pré-estabeleciam os pensamentos dos subordinados ao modelo dos cidadãos socialmente respeitados. As mulheres e os analfabetos eram os complementos naturais. As conquistas em nome da democracia só começam a ter vigência efetiva depois da Segunda Grande Guerra em que o fascismo foi vencido pelos aliados com o exército revolucionário soviético na vanguarda. O socialismo expandiu-se por todo o mundo como a ideologia alternativa ao capitalismo dominante.

A presença de Partidos Socialistas e Comunistas na vida política nacional abriu caminho para os projetos de uma democracia real. A militância progressista misturava diferenças ideológicas - anarquistas, cristãos, trotskistas, estalinistas e mais os que simplesmente defendiam os oprimidos e se rebelavam contra a presunção da elite.

A direita aperfeiçoou os métodos de dominação através da difusão literária, primeiro, e dos recursos da rádio, televisão e cinema, depois. Este tornou-se o instrumento fundamental nas campanhas eleitorais, na propaganda midiática e nos financiamentos privados de shows e mega-festas barulhentas e mediocrizantes. Ao impor um comportamento mecanizado e dominador, sem espaço para contestação, mantêm os que assistem subordinados à onda sonora e psicótica, obedientes à mesma elite que gere o poder financeiro. Uma versão moderna do antigo "cabresto dos coronéis" comanda, agora revestido de subtilezas dos que "fazem as idéias" através da cultura imposta como "moderna tecnologia".

No Brasil, com a Constituição de 1988 (onde no plano jurídico as mais visíveis restrições deixadas pela ditadura foram atenuadas), surge o anúncio da possibilidade de um regime político democrático. As forças de esquerda alcançam vitórias eleitorais, sobretudo a nível da representação municipal onde permaneceram sementes democráticas durante a repressão ditatorial, mas também nas câmaras estaduais e federais, com líderes que sempre lutaram árduamente em defesa das reivindicações populares mesmo fora dos períodos eleitorais. São os verdadeiros representantes da vontade dos oprimidos e da luta por uma transformação do Estado para que deixe de ser manobrado pela elite e realize uma administração democrática dos serviços sociais e econômicos para a independência e desenvolvimento da Nação.

Esta mudança afeta também a produção intelectual ao abrir as universidades a uma camada popular com representantes das vítimas dos mais variados preconceitos. Os temas sobre as diferenças impõem-se ao conhecimento científico, e até à mídia, ganhando as ruas. O direito a pensar com a própria cabeça estilhaçou as coleiras e grilhões. Desapareceu a névoa mental que subordinava a sociedade como um teto baixo de deveres e condições de cidadania.

Só assim pode haver uma produção intelectual integrada efetivamente na história brasileira, alimentada por um conhecimento dos que vivem a realidade suportada pela maioria da população, e as características de todas as regiõs do território brasileiro, sem a visão particular e supostamente superior de quem se beneficia dos recursos criados para a elite. As divergências que normalmente surgem nas análises teóricas serão explicitadas diante de fatos reais, com métodos científicos comprovados, e não apenas de interpretações da realidade enredados em conceitos abstratos e intraduziveis para a linguagem normal da população. O debate será sempre enriquecedor mas não mais como um campeonato de títulos universitários onde vence o que gritar mais alto.

Lula abriu o caminho para uma democracia quando venceu as eleições presidenciais em 2002. Foi um passo histórico que promoveu a participação de 61% de novos eleitores da esquerda e centro, desejosos de um caminho realmente alternativo . No entanto, para isto contou com forças políticas representantes de uma facção nativa da elite, discriminada pelos seus parceiros que assumiam o poder com a ajuda externa do sistema capitalista internacional.

No decorrer dos anos cresceu uma oposição interna às medidas governamentais favoráveis à integração de todos os cidadãos sem distinção de classe ou de etnia, de formação filosófica ou religiosa, de opção de vida. O processo de integração leva tempo para adaptar tanto os agentes sociais como o povo a um convívio igualitário. É uma mudança profunda nas convicções arraigadas pela cultura de uns e de outros, que exige um aprendizado social. Nem todos aguentam manter o entusiásmo na luta coletiva sem compensações individuais. A atração do conforto que cerca o poder é forte e "a carne é fraca" para muitos. Houve traições, insensibilidades e incompetências, que permitiram a sobrevivência de preconceitos contra a ascensão dos mais pobres.

O sistema capitalista aproveitou com a sua vanguarda financeira e uma política terrorista de expansão que enfraqueceu e quebrou a União Soviética provocando um abalo mundial nas organizações revolucionárias. No Brasil o pensamento democrático não foi assimilado pelos governantes da mesma maneira. Uns consideraram a participação popular fundamental para as decisões do Estado servirem os interesses da maioria, enquanto que outros procuraram dar aos mais pobres as condições de consumidores que o sistema estimula com a desigualdade e a corrupção. Os elitistas defenderam os seus privilégios de concentração do capital e das melhores condições de vida. Formou-se a mentalidade golpista para interromper o processo democratizante que ganhara o continente latino-americano e a admiração mundial. Mas, neste clima controverso, Dilma foi eleita por 54 milhões de eleitores. Os que defendem uma melhor distribuição de benefícios do patrimônio nacional e a participação nas decisões do Estado, exigem que os pobres sejam democraticamente integrados como cidadãos com os mesmos direitos sociais.

Vivemos um momento decisivo na história brasileira com repercussão na de toda a humanidade. Até hoje a evolução polítca só ocorreu com confrontos guerreiros. Ainda temos capacidade para defender as conquistas democráticas com os recursos jurídicos existentes na ONU a partir da definição mundial dos Direitos Humanos e da Paz para o Desenvolvimento Democrático. Haja coragem e brio!


Zillah Branco



terça-feira, 12 de julho de 2016

A grande mudança no Brasil



Os anos nefastos da ditadura militar, de autoritarismo e perseguição aos que defendiam a liberdade, dividiu a população brasileira que exercia a participação política em duas posições: a conservadora, apoiante da opressão -  no partido ARENA - e, em oposição, a democrática, no MDB que era um movimento social e político.

As discordâncias envolviam princípios políticos de liberdade - para que o país se desenvolvesse com independência, livre das pressões externas do imperialismo, e para que todo o povo conquistasse os seus direitos de cidadania - e a luta pelo poder autoritário, ou seja, apenas a substituição de uma elite (militar) por outra (civil) concorrente.

A esquerda clandestina, dos comunistas e militantes de movimentos sociais, trabalhou duramente junto ao povo dando apoio aos mais perseguidos, sem poder concorrer aos cargos políticos. Eventualmente foram acolhidos pelos democratas sob a legenda do MDB para serem eleitos e participarem do poder local. Muitos passaram pelas prisões, sofreram torturas e atè a morte. Tiveram os seus direitos de cidadania cortados, foram banidos da sua pátria. Grande número deles foi obrigado a exilar-se em outros países para poderem trabalhar e criar os seus filhos.

A luta armada e a pacífica foi mantida durante todos os longos 21 anos, conservando a chama da resistência e iluminando a esperança em todos os brasileiros que conservaram a consciência de que a liberdade é essencial ao desenvolvimento humano e da sociedade com a sua estrutura econômica e social.

O poder imperialista percebeu que as formas de opressão geravam a resistência de um número cada vez maior de pessoas que se afastavam dos políticos conservadores e descobriam o valor da democracia. Os próprios militares no Brasil se convenceram de que a ditadura esgotara a sua força. Foi aberto um caminho de transição para formar governos civis, e ser retomado o caminho democrático das eleições com a participação popular. Vestidos de democratas misturaram-se vários políticos cuja ambição individualista era apenas a de participar da nova estrutura de poder que se pretendia popular e voltada para a criação de melhores condições de desenvolvimento nacional e de vida para todo o povo. Com esta mistura o processo de transição seguiu, cheio de contradições.

Em 1988 foi produzida uma Constituição Federal pelos parlamentares que representavam os partidos que surgiram das duas forças políticas legais sobreviventes - ARENA e PMDB - e de outras que emergiram da clandestinidade com um passado histórico de esquerda, direita ou centro. Foi a Constituição possível, democrática (sem explicitar a ambiguidade do conceito), que admitia o voto dos analfabetos sem estabelecer os limites ao exercício do poder dos oligopólios nascidos das velhas oligarquias e da ação imperialista, que modernizava o sistema com aperfeiçoamentos tecnológicos, de gestão financeira da economia e de controle da mídia para a formação da opinião pública.

O PT nascia como uma esquerda moderna, livre do peso histórico que os partidos comunistas e socialistas carregavam suportando os preconceitos dos partidos de direita e até de centro esquerda recem-nascidos. A liderança de Lula, com o carísma pessoal de quem viveu a miséria como a maioria dos cidadãos brasileiros, e do trabalho sindical que liderava, ultrapassou as divergências intelectuais e ideológicas dos quadros do PT, conquistou o apoio massivo popular e atraiu franjas da burguesia que estava decepcionada com os problemas gerados pelo neo-liberalismo adotado nos dois mandatos de FHC a favor do enriquecimento da elite, e venceu a eleição presidencial em 2002.

Abria-se um novo caminho para o Brasil, tentando ser livre dos comandos externos com a matriz do neo-liberalismo, voltado para o desenvolvimento nacional com a integração dos milhões de trabalhadores pobres que passavam fome com as suas famílias e nem sabiam que tinham direitos de cidadania. O país reconhecia como parceiros os vizinhos de continente que, a exemplo de Cuba, recusavam a permanente sangria imposta pelo vampiro imperialista em que se transformaram os Estados Unidos aliado às nações mais ricas.

Muito foi feito desbravando o território brasileiro, criando infra-estruturas básicas para as populações dispersas, desenvolvendo o sistema de saúde e o ensino público, criando condições para integrar todo o povo nas instituições nacionais e acabando com o trabalho infantil, favorecendo os mais pobres com uma bolsa-família e promovendo pequenas cooperativas que organizaram o trabalho artesanal e de coletores rurais de produtos para entrarem no mercado sem a exploração dos intermediários. Nas cidades foi impulsionado o ensino superior e técnico de formação profissional, promovida a produção científica e de  varios ramos da cultura e da arte, criados incentivos financeiros para estudantes sem recursos, construção de casas populares, criação de restaurantes para atender os mais pobres, introdução da merenda escolar, e várias iniciativas para que o Brasil superasse as condições de subdesenvolvimento herdada do passado colonial e do poder de elites.

Mas as pressões contra este progresso - que dá prioridade aos mais pobres e ao desenvolvimento dos recursos nacionais incluindo a mão de obra que se foi formando,  e levava a uma melhor distribuição da renda nacional com a recolha de impostos junto às camadas sociais mais ricas - foram crescendo insidiosamente apoiadas pela mídia ao serviço dos oligopólios. Era a instauração de um regime democrático, e de um Estado social, que o sistema capitalista repudia para manter a concentração do capital nas mão da elite poderosa.

A culminação desta luta foi a execução do golpe que colocou Temer, o interino, no lugar da Presidenta legítima, Dilma Roussef, eleita por 54 milhões de brasileiros, com o falso pretexto de um impeachment sem base jurídica e com falsas alegações de crimes. Estranhamente o sistema judicial tem prolongado a contestação desse governo ilegal que trouxe para a administração da vida nacional a direita que tem sido sistemáticamente rejeitada pelo voto democrático.

Impõe-se uma solução urgente para impedir o desmonte das conquistas históricas que desde 2003 têm assegurado um caminho que garante a independência nacional, o desenvolvimento de um valioso patrimônio econômico e a criação de soluções para acabar com os sofrimentos da miséria que a maioria dos brasileiros suporta. Os movimentos sociais se estruturam e procuram a unidade com as forças de esquerda para registrarem em plebiscito a vontade popular. Não se pode admitir que persistam razões teóricas ou de interesses particulares que impeçam uma medida pacífica de expressão da vontade dos brasileiros. A luta é coletiva, urgente, patriótica, contra um ato ilegal programado por forças externas e realizado por traidores.

Zillah Branco

sábado, 2 de julho de 2016

Virus imperialista ameaça a humanidade

Está à vista uma ação combinada para pressionar mais fortemente os vários países que foram contaminados pela "doença política" do neo-liberalismo. Esta doença minou os Estados que defendem os interesses exclusivos do mercado capitalista, mais preocupados em aumentar os depósitos financeiros nos bancos de que investir na produção nacional e nos serviços sociais para atender as populações com bons serviços de saúde, ensino, previdência, transportes, habitação e emprego.


Na América Latina, onde floresceu a democracia desde o início do milênio, inspirada nas conquistas da Cuba revolucionária, os governos eleitos pelo povo tentaram promover uma melhor distribuição dos recursos cobrando impostos aos ricos e investindo no desenvolvimento da produção nacional e na melhoria de condições de vida dos trabalhadores e suas famílias. Então começaram os movimentos de direita, manipulados por partidos de elite que controlam os meios de comunicação, para derrubar os bons governos democráticos fazendo campanhas com falsas denúncias contra os políticos de esquerda ou dando golpe como aconteceu contra o presidente Chaves na Venezuela e no Brasil com a proposta de impeachment contra Dilma. Chaves pode resistir com o apoio do seu povo e no Brasil crescem as manifestações sociais em defesa de Dilma com o apoio dos mais pobres que hoje têm os benefícios da cidadania.

Na Europa os países ricos ligados ao imperialismo criaram a União Europeia que controla o poder financeiro de todas as nações do continente impondo o sacrifício dos mais pobres que perdem os seus empregos e caem na miséria para que os bancos beneficiem as elites mais ricas, de acordo com os princípios do neo-liberalismo. Ao mesmo tempo os Estados Unidos exigiram - que a OTAN - formada pelas forças armadas de todos os países membros da União Europeia - desencadeassem invasões e bombardeios terroristas em vários países do Oriente Médio e do Norte da Africa que têm reservas de petróleo e minérios de grande valor. Destas destruições fugiram milhões de pessoas em busca de socorro na Europa, formando um movimento de emigração de pessoas desesperadas que enfrentam os riscos de naufrágio no mar Mediterrâneo (já morreram afogados mais de 10 mil, principalmente crianças e idosos) ou de morrerem de fome e exaustão nos percursos feitos a pé onde os países da UE levantam obstáculos para que não possam ultrapassar as suas fronteiras nacionais.

Em vários países europeus, onde os partidos de esquerda e os movimentos sindicais chegaram a desenvolver fortes organizações quando enfrentaram as grandes guerras contra o fascismo, a esquerda começa a se reestruturar unindo democratas para defender os povos agora ameaçados pelos governos neo-liberais. A moderna "guerra" realiza-se pela subordinação dos governos nacionais ao comando reacionário da União Europeia que não reconhece a soberania de cada nação e impõe um regime de austeridade e de adesão às práticas terrorista da OTAN.

Abaixo reproduzimos um comunicado produzido pelos comunistas de Portugal através do seu partido, que deixa clara a luta que vai sendo travada na Europa, tal como a que estamos enfrentando na América Latina.

PCP divulga aos órgãos de informação:


Sobre as imposições, a possibilidade de “sanções” a Portugal pela União Europeia e a proposta de realização de um referendo

O PCP repudia qualquer possibilidade de aplicação de medidas de chantagem econômica e extorsão a Portugal. Impõe-se que o Governo português defenda a soberania e os interesses nacionais e rejeite de forma firme e decidida a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal. A questão que está colocada é a da imediata suspensão e revogação, ou desvinculação de Portugal, de todos os instrumentos de que as sanções são corolário. A proposta do Bloco de Esquerda de um referendo “para tomar posição contra as sanções” significa admitir que por essa via possam ser legitimadas as sanções ou outras imposições da União Europeia.

1 - O PCP repudia qualquer possibilidade de aplicação de medidas de chantagem econômica e extorsão a Portugal, seja sob a forma de “sanções”, ilegítimas e atentatórias do interesse e soberania nacionais, seja sob qualquer outra forma. A pressão que está a ser exercida sobre Portugal constitui um inaceitável ataque à soberania nacional, aos direitos dos portugueses e à democracia tal como consagrada na Constituição da República Portuguesa.

Mas essa pressão não se resume a uma mediatizada e manipulada ameaça de “sanções”. Ela tem sido constante e é agora renovada com a aprovação das recomendações específicas pelo Conselho Europeu que repetem as mesmas receitas e políticas que foram impostas a Portugal nos últimos anos. O que Portugal deve rejeitar é toda a teia de imposições e mecanismos de policiamento de que as “sanções” são uma expressão e corolário.

2 - O PCP recorda que a Assembleia da República já se pronunciou contra a possibilidade de aplicação de “sanções” a Portugal. Assim, o Governo português não só está mandando como tem todas as condições e obrigação de rejeitar firmemente esses ataques contra o povo e o País. Simultaneamente o PCP alerta para a possibilidade de manobras que, por via de matizações ou mesmo não aplicação das “sanções”, persigam o objectivo da “legitimação” e “naturalização” dos mecanismos a que estas estão associadas, tentando assim manter intactos os objetivos de domínio econômico e político do diretório de potências da União Europeia.

3 – Impõe-se assim que o Governo português defenda a soberania e os interesses nacionais e rejeite de forma firme e decidida a possibilidade de aplicação de sanções a Portugal, bem como de quaisquer outras imposições que procurem condicionar opções soberanas do Estado português, designadamente a coberto dos mecanismos do Pacto de Estabilidade, da Governação Econômica ou do Tratado Orçamental.

Avançar neste quadro, como fez o BE, com uma proposta de referendo “para tomar posição contra as sanções” significa admitir a possibilidade de capitulação perante a União Europeia, admitindo que por via de referendo podem ser legitimadas as sanções ou outras imposições europeias.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

Pátria amada, BRASIL !

Bresser-Pereira, professor emérito da Fundação Getúlio Vargas e exemplo de dignidade cidadã, explica ao ser entrevistado em França (RFI 10/06/16): "de 1930 e 1980, que chamo de nação e desenvolviment, é o momento da revolução capitalista brasileira, com a figura marcante de Getúlio Vargas. Depois, de 1980 até 2014, temos o ciclo democracia e justiça social. Tivemos a transição democrática, que foi alcançada, e a justiça social, que foi modestamente melhorada.(...) A grande tentativa política dos governos Lula-Dilma tinha sido de fazer um pacto político e de classes, desenvolvimentista. Um pacto que juntasse os trabalhadores e a burocracia pública aos empresários industriais, aos empresários produtivos. Foi o que ocorreu na era de Getúlio Vargas(...)

"O capitalismo em qualquer país do mundo é : ou desenvolvimentista, ou liberal. Se for liberal, é um capitalismo dos rentistas e dos financistas, como vimos nos Estados Unidos e na França, a partir de 1980. Nós, com a chegada do Collor à presidência, teremos um ciclo que chamo de liberal-dependente. O governo Fernando Henrique foi neoliberal no plano econômico, mas não no plano social. E agora, neste novo governo que surgiu após este impeachment absolutamente inaceitável, vemos uma tentativa de desmontar o nosso Estado de bem estar social no Brasil.

O que eu vi, depois que saí do governo, é que a guinada do PSDB para a direita era muito forte. Acontecera não só na política econômica, de privatizações e liberalização, como na política externa, dependente dos Estados Unidos e de políticas ortodoxas.

As outras razões foram essencialmente que a direita, a classe capitalista rentista e financista brasileira, resolveu que não queria mais ser governada pelo PT. Eles nunca quiseram – o Brasil entrou em uma crise em 2002, por causa da eleição do Lula. Mas, depois, o Lula tentou de todas as maneiras fazer compromissos e acordos, que eram necessários, e a coisa foi indo. Mas depois a economia começou a derrapar fortemente, em 2012, e a taxa de lucro dos empresários industriais caiu de maneira dramática, para 5% e depois para 4% ao ano, muito abaixo da taxa de juros, nesse momento essa direita se uniu.

Os economistas passaram a fazer uma gritaria a respeito do “pibinho” e a respeito dos erros de política econômica que ela de fato cometeu, vários. Mas, para a surpresa dessa direita, a presidente foi reeleita, e num quadro muito curioso: nunca vi um presidente ser reeleito no Brasil sem nenhum apoio das classes dirigentes. Até no caso do Lula, havia algum apoio. Dessa vez, não havia nada, de forma que, em seguida, os derrotados imediatamente começaram a pedir o impeachment."(...)

Revendo o período em que o Brasil sofreu um golpe que durou 21 anos, as forças democráticas se aproximaram para encontrar solução. Para que o Brasil saisse da alternância de governos oligarcas e entrasse em um ciclo democrático com participação popular efetiva nas medidas governamentais, foi lançado um partido diretamente ligado aos trabalhadores sem a tutela ideológica explícita da esquerda tradicional. Não se propunha o socialismo e acreditava-se na aliança entre as classes com a superação do seu natural antagonismo.

Os programas políticos do PT, que começaram a ser debatidos em 1978, atraindo diferentes grupos que se opunham à ditadura militar, teve o mérito de criar um foco de ação parlamentar e institucional nos anos 80, para as mais diversas tendências que lutavam contra a opressão no país e pela abertura de caminhos a nível da participação política dos cidadãos em movimentos sociais, organizações sindicais e junto aos poderes locais.

Antecedentes históricos

A sociedade brasileira onde muitos exemplos de lutas populares ocorreram desde a fase colonial, era dominada pela letargia imposta por governantes vinculados às oligarquias que tinham o controle econômico, institucional e cultural, dispondo de um Estado criado segundo o modelo europeu, submisso às pressões comerciais e políticas exercidas por poderes extrangeiros.

Os exemplos heróicos de luta por uma pátria independente foram alvo de feroz repressão deixando gravadas com sangue na história do Brasil o grito de protesto contra a miséria em que viviam os trabalhadores e suas famílias, escravizados pelas famílias oligárquicas que tinham acesso aos benefícios sociais que asseguravam à elite a perpetuação no domínio da nação. As idéias libertárias eram também assumidas por elementos dessa camada privilegiada que entravam em contato com os movimentos independentistas, humanistas e das nascentes idéias democráticas que abalavam a Europa e penetravam nas novas colônias criadas na América do Norte e nas mais antigas, povoadas por ibéricos, no centro e no sul, do continente americano.

Assim, no início do século XX, chegaram os reflexos das formações partidárias e dos debates ideológicos acerca dos eventos históricos que sacudiram a Europa, como a Revolução Russa e o desenvolvimento industrial nos Estados Unidos que conferia àquela nação a liderança do sistema capitalista implantado em todo o mundo sob a ação colonizadora da Europa.

Importação de idéias e criação de movimentos nacionais

O Brasil refletia nos seus debates políticos as experiências transmitidas por outras realidades nacionais que procurava adaptar às suas condições. Surgiam movimentos comunistas e anarquistas que se confrontavam com a polícia repressora de uma sociedade predominante agrária sob o domínio da cultura religiosa implantada desde o início colonial, governos fracos que aceitavam a ação dos Estados Unidos em substituição ao poder da Inglaterra que criara as empresas básicas de energia elétrica e gás, e proibiam a localização de petróleo e outros minérios em todo o território nacional. A dependência era visível, apenas mudara o dono mais moderno que comandava fora da Europa a revolução industrial.

É o momento que Bresser-Pereira chama de "revolução capitalista" que traz um modelo moderno de organização econômica e social a abrir caminho para a integração dos trabalhadores no que se considera a "sociedade civil" com acesso às instituições do Estado. A criação de uma produção industrial, no entanto modesta, não absorvia cerca de dois terços da totalidade do povo trabalhador, que até aos anos 70, vivia como podia à margem de qualquer condição oferecida pelo Estado. Até 1958 o número de eleitores era de apenas 15 milhões, pois eram impedidos os analfabetos.

Quando nasce o PT em 1978,  apenas os antigos partidos da classe média que se identificavam com o pensamento democrático burguês atuavam institucionalmente através do MDB em oposição à ARENA onde se reuniam as forças de direita. Partidos Comunistas e demais tendências de esquerda sobreviviam na ilegalidade sob forte perseguição policial com muita tortura e assassinatos.

As tendências formadas em função das posições teóricas que se confrontavam na União Soviética ou em paises onde os partidos comunistas eram legalizados, reproduziam-se no Brasil dividindo a esquerda em grupos dentro ou fora dos Partidos Comunistas ilegais. Lincoln Secco na "História do PT" (Ateliê Editorial 2011) refere a dificuldade na organização do PT que atraiu militantes com as mais variadas tendências que projetavam as suas idéias relativas às experiências em outras sociedades, e punham em causa os partidos comunistas que também reproduziam orientações vindas de revoluções ou movimentos de libertação estrangeiros.

Na verdade, a chamada "revolução capitalista" que cria o sistema econômico e social ligado à indústria e os serviços burocráticos privados, assim como os do Estado, seguia modelos vindos do exterior. A dinâmica geradora de contradições internas criava um proletariado consciente que ainda era inexpressivo em relação à população trabalhadora no Brasil. A classe empresarial formava-se pelo modelo europeu ou norte-americano. Todos tinham fraco conhecimento e inserção na realidade brasileira, apesar de muito estudarem as teorias e tentarem adaptá-las. Para mais, a economia nacional era dependente do sistema capitalista estruturado nos países desenvolvidos que viveram a evolução histórica da fase colonialista, de controle do comercio internacional e do sistema financeiro, no qual o Brasil participava como cliente.

A esquerda brasileira, dos partidos comunistas ilegalizados, dos grupos dissidentes, somados aos partidos democráticos e às bases da Igreja Católica, que acolhiam os militantes envolvidos na oposição direta á ditadura, mergulharam na realidade do Brasil e entraram em contacto com aqueles dois terço do povo que vivia marginalizado. Nesta área da militância política, com as suas diferentes "tendências" é que surgiu o processo de transformação no conhecimento e na ligação com o Brasil profundo, a "Pátria amada" e a sua gente (que é povo e não podia votar por ser analfabeta), que se aproximou do PT que prometia romper com as tradições de clientelismo da política oligárquica e de submissão ao modelo socio-econômico externo.

Com o fim da ditadura em 1988 fez-se uma nova Constituição que garantiu alguns direitos aos cidadãos - como o de votar - e abriu um caminho jurídico para estabelecer melhores garantias para Governos democráticos aperfeiçoarem as instituições do Estado. Foi um começo para enfrentar os problemas que a história apresenta ao país, ao continente Latino Americano e ao mundo internacional com o qual o Brasil se relaciona. A partir de então os políticos democratas entenderam que deveriam lutar por um governo que desenvolvesse a produção nacional e assumisse a responsabilidade pela economia e a sociedade capaz de melhorar as condições do povo, principalmente dos mais abandonados.

Apesar das várias diferenças teóricas que existiam, o PT sob a liderança de Lula - operário e grande conhecedor da miséria no Brasil, - conseguiu atrair além do povo, também empresários que queriam desenvolver a produção nacional e pessoas que acreditaram que o Brasil poderia ser independente e caminhar democraticamente com o trabalho de todos os brasileiros. A vitória alcançada em 2002 pelo povo marcou uma nova fase na vida nacional. A surpresa e a admiração mundial pela formação de um Governo dirigido por um trabalhador metalúrgico com um programa democrático permitiu que muito fosse realizado com êxito no primeiro mandato.

O peso do eleitorado com a participação de maior parte do povo, assustou os antigos dirigentes que se consideravam democráticos e sempre estiveram no poder controlado pelas oligarquias. O apoio dado pelos empresarios assustou os poderes externos que sempre viram naqueles uma clientela passiva. O historiador Nelson Werneck Sodré, no livro "Quem é o povo no Brasil"(Ed.Civilização Brasileira, 1962) disse que "assim como no campo internacional o imperialismo preferiria conflagar o mundo, com a guerra atômica, a ceder as suas posições, no campo nacional aquelas forças preferem conflagar o País a ver derrotados os seus interesses".

Parecia advinhar o que se tramaria contra o Governo PT ao longo de tres mandatos, durante os quais a oposição representada pelo PSDB, conquistando antigos pretensos democratas e comprando os mais renitentes, minou os trabalhos do Governo utilizando meios inexcrupulosos, mentiras e falsas denúncias, e pressionou para que fosse entregue o controle do sistema econômico a especialistas neo-liberais subordinados ao imperialismo como preço para cederem em algumas formas de apoio para combater a fome de mais de 50 milhões de trabalhadores brasileiros, construir infra-estruturas e moradias para poderem usufruir da condição de cidadãos.

Além de controlar o sistema financeiro no Estado, a direita levou a mídia a crescer como um quarto poder nacional, sempre ao serviço do imperialismo. Aos poucos agravaram os problemas no setor da Previdência Social, da Saúde, da Educação, sob pressão de privados com empresas concorrentes. Aos poucos verificava-se que esta oposição dentro do Estado alimentava ambições pessoais contrárias á solidariedade social que constituia o fundamento da formação do PT.

Em 2014 uniram-se os direitistas e traidores para tentar vencer a candidata Dilma nas eleições e sofreram a maior surpresa de sempre ao ver que 54 milhões de brasileiros, vindos do povo que passou a poder se alimentar e ter seus filhos na escola, e dos lutadores que continuam fiéis ao Brasil que constroem, elegeram a Presidente Dilma na primeira volta. Quase 4 vezes o total de eleitores que havia em 1958! Foi a grandiosa participação da população mais pobre, a que antes ficava fora da vida política nacional liderada pelos militantes de sempre, com as suas diferentes "tendências" mas identificados por um conceito únido de democracia e de pátria.

Volto a utilizar as expressões de Bresser-Pereira na entrevista dada na França, à RFI, dia 10/06/16: "Mas, para a surpresa dessa direita, a presidente foi reeleita, e num quadro muito curioso: nunca vi um presidente ser reeleito no Brasil sem nenhum apoio das classes dirigentes. Até no caso do Lula, havia algum apoio. Dessa vez, não havia nada, de forma que, em seguida, os derrotados imediatamente começaram a pedir o impeachment."

O povo brasileiro viveu um processo revolucionário que o Governo não pode refletir plenamente, para além da implantação de um programa de atendimento democrático no Estado social, por ter sucumbido às alianças "contra natura" com forças reacionárias. A liderança desse povo participante seguirá com a força política que for capaz de gerir as multiplas tendências, teóricas e práticas que povoam a cultura nacional brasileira, mantendo acima o farol que ilumina a "pátria amada" e seu povo.


Zillah Branco
























sexta-feira, 10 de junho de 2016

O FMI perdeu o controle da sua mágica

Tenho respeito por todas as análises doutorais que explicam: a crise do sistema capitalista, os golpes que levam setores oligárquicos a ocuparem os governos em total desrespeito com a democracia, os desvios de imensas quantias financeiras que decorrem de negócios entre Estados e empresas para contas pessoais e aplicações em paraisos fiscais,

a crescente despesa com os setores sociais com o aumento das populações e com o aperfeiçoamento dos serviços prestados, a incapacidade dos PIB nacionais de comportarem despesas e roubos bilionários, tendo de recorrer aos impostos como solução de facilidade, sobretudo aplicados à população mais pobre cujos salários são pagos pelo patronato rico.

Aliás esta história foi contada minuciosamente por Marx e Engels no século XIX e repetida por seus seguidores ao longo de quase 200 anos.

Faço empenho em não complicar a explicação linear de que o sistema capitalista, defendido com unhas e dentes por aqueles que enriquecem de uma ou outra maneira:

- por herança, por grandes negócios que fazem com quem se vê em apertos, por fazerem parte da elite dominante, por prestarem importantes ajudas ao fortalecimento da elite, por não terem escrúpulos em aplicar a seu favor uma parte da transação feita entre o Estado e grandes empresas, por disporem de predicados que encantam a elite compondo um ambiente atraente e relaxante em que os ricos refocilam, e tantas outras indignidades que todos conhecem;

- é o mesmo sistema que cria a miséria para os explorados, que provoca guerras que destroem civilizações inteiras (como recentemente no Oriente Médio e Norte da África), que assiste aos milhares de mortes de populações que fogem aos bombardeios em busca de socorro, que cria empresas privadas com o apoio do Estado para concorrerem com os serviços públicos (nas áreas de saúde, escolas e previdência social), que protege os importantes corruptos e criminosos com um complicado sistema jurídico apoiado pela comunicação social conivente para que sejam intocáveis pela justiça, que sobrecarrega os mais pobres com impostos e cortes salariais para compensar os furtos bilionários... e tantas outras maldades que os povos estão cansados de conhecer.

A história caminha devagar, e os povos souberam defender-se para obrigar os ricos a deixarem uma parcela, depois de obterem seus lucros, para montarem a máquina do Estado de modo a garantir as condições de sobrevivência para os que fazem parte da classe que trabalha para desenvolver a produção. Formaram partidos de esquerda e movimentos sociais para exigirem as melhorias, e criaram quadros políticos que foram eleitos para representar os interesses populares dentro do aparelho do Estado e do próprio Governo. Impuseram o regime democrático e começaram a exigir que a Justiça não proteja os ricos e só condene os da classe pobre.

Contra esta participação de igualdade democrática a elite produziu um grupo de defesa dos seus interesses que se mantivesse acima dos poderes nacionais, um império

- um super poder mundial que organiza o setor financeiro nos países ricos para explorar os países pobres, ou seja, para criar nações colonizadoras e colonizadas, de modo a deixar que os povos sigam a sua história com as duas classes em conflito habitual, enquanto que a centralização do poder financeiro se dá fora dos territórios e longe da vista nacional. Daí a circulação de grossas quantias de dinheiro, maiores do que os PIB, favorecem pessoas e grupos para que impeçam a instauração da democracia conquistada através de lutas graduais.

Com o mau uso de tanto dinheiro que não é aplicado no desenvolvimento nacional para fortalecer a produção interna e a melhora das condições de vida dos que vivem do seu trabalho, fomentado o roubo crescente e o desvio da ação responsável pelo funcionamento da estrutura governativa pelas formas de corrupção, o sistema capitalista entrou em uma crise que exige a revisão da organização das nações e o combate a todas as formas de especulação do capital.

Até agora os grandes responsáveis pelos erros que minaram o mundo e anularam o equilíbrio fiscal das nações, como o FMI e o Banco Mundial, defendiam o neoliberalismo que está na origem da submissão das nações ao poder financeiro que fortaleceu o império. Mas o crescimento da miséria, as chacinas e guerras que se repetem, a revolta que anima lutas terroristas, anunciam o fim do mundo criado pela humanidade. Os mandantes imperialistas foram obrigados a reconhecer o óbvio: sem trabalhadores em condições de vida não haverá produção, sem uma população sem meios de consumo não há mercado.

Por esta descoberta é que o FMI começa a recomendar cautela, os paraisos fiscais começam a denunciar os milhares de ladrões que esconderam longe dos seus paises os biliões sobre os quais deveriam pagar impostos, os bancos que esconderam operações por baixo da mesa foram à falência, os corruptos que sugaram a Petrobrás começam a ser denunciados (e organizaram o golpe para poderem ser protegidos em cargos governamentais que a Justiça no Brasil respeita).

A situação é similar em todo o mundo. Ao perceber que as populações defendem a esquerda nos governos para garantir o Estado Social e obrigar os ricos a sofrerem a austeridade e pagar impostos, os ladrões banqueiros a irem para a cadeia e devolverem o fruto dos roubos e corrupções, a União Europeia, unida ao FMI, também lembrou frases de arrependimento como: "nós causamos sofrimentos aos pobres com a imposição da austeridade", "a cobrança dos créditos impediu a sobrevivência dos empregos". Lágrimas de crocodilo e abandono dos ex-amigos que se deixaram corromper. Assim pensam que vão salvar o capitalismo, ou adiar por mais tempo o seu fim.

No que toca aos brasileiros, fora Temer e toda a quadrilha que o acompanha!